Câmara aprova PL Antifacção em derrota ao governo Lula
O texto passou com 370 votos favoráveis e 110 contrários, consolidando o avanço da proposta.
- Foto: Agência Câmara
Notícias do Pará – A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (18/11), o Projeto de Lei 5.582/2025 — o chamado PL Antifacção — em uma sessão marcada por forte tensão política, sucessivas manobras regimentais e derrota do governo federal. O texto passou com 370 votos favoráveis e 110 contrários, consolidando o avanço da proposta que endurece o combate às facções criminosas no país.
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A votação foi conduzida pelo relator, Guilherme Derrite (PP-SP), que apresentou seis versões do relatório após críticas vindas de governadores, parlamentares governistas e da oposição. Apesar de o projeto ser originalmente do Executivo, a base de Lula tentou adiar a análise por meio de requerimentos, todos rejeitados pelo plenário.
Agora, a matéria segue para o Senado, onde será relatada por Alessandro Vieira (MDB-SE).
Governo é derrotado e relatora da articulação critica substitutivo
A aprovação do texto ocorreu sob forte desgaste da articulação governista. Horas antes da votação, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou o substitutivo de Derrite como uma “lambança legislativa”, sinalizando conflito aberto entre o Planalto e a Câmara.
A crise política se aprofundou depois que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), cancelou uma reunião marcada com Gleisi e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que buscavam construir ajustes no texto.
Derrite critica governo e afirma não ter sido procurado
No plenário, Derrite endureceu o tom contra o governo. Ele afirmou que nenhum representante do Executivo o procurou para negociar, mas mesmo assim fez mudanças após tomar conhecimento pela imprensa dos pontos que desagradavam ao Planalto.
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“Fiz modificações mesmo sem diálogo com o governo, que não me buscou em nenhum momento”, disse o relator.
O parlamentar defendeu que o projeto representa um “Marco Legal do Combate ao Crime Organizado”, e ressaltou que o objetivo foi equilibrar interesses de estados e da União.
Competência da Polícia Federal gera maior atrito
Um dos pontos mais sensíveis foi o dispositivo que define o destino dos bens apreendidos em operações contra facções. Pelo texto:
Se a investigação for estadual, os recursos irão para o Fundo de Segurança Pública do estado.
Se houver participação da Polícia Federal, os valores serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública.
A própria PF criticou a medida, alegando que a mudança pode reduzir o orçamento da corporação.
Endurecimento de penas e banco nacional de faccionados
Apesar de não equiparar facções ao terrorismo — como defendia parte da oposição — o projeto endurece o tratamento penal a integrantes dessas organizações:
Homicídio e lesão corporal: penas entre 20 e 40 anos.
Sequestro e cárcere privado: 12 a 20 anos.
Furto praticado por faccionados: 4 a 10 anos.
Proibição de indulto, fiança, liberdade condicional, graça e anistia.
O texto também cria um banco nacional de faccionados — integrado a bases estaduais — com CPF, CNPJ e dados de identificação de membros de facções criminosas. O sistema permitirá o intercâmbio direto de informações entre estados e União.
Falhas de articulação e bastidores tensos
A votação expôs fragilidades tanto do relator quanto da presidência da Câmara. Na véspera, Motta admitiu que não havia consenso possível sobre o texto e que buscaria apenas uma proposta “técnica e eficiente”.
Mesmo assim, a proposta avançou, impondo uma das derrotas mais simbólicas ao governo Lula no tema da segurança pública em 2025.
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Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
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