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Cientista Tatiana Sampaio diz que pagou do próprio bolso para salvar patente da polilaminina mas perdeu proteção internacional após cortes federais

Pesquisadora da UFRJ afirma que falta de recursos levou à perda da patente no exterior, enquanto a nacional foi mantida com dinheiro pessoal.

Por Natan AMPOST

18/02/2026 às 17:30 - Atualizado em 15/05/2026 às 14:51

Resumo 


Cientista da UFRJ Tatiana Sampaio afirma que pagou do próprio bolso para manter patente nacional da polilaminina após cortes de recursos. Proteína experimental apresenta resultados promissores em lesões medulares.

Notícias do Brasil – A professora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou que precisou pagar do próprio bolso para manter a patente nacional da polilaminina após cortes de recursos destinados à universidade. A substância experimental é considerada promissora no tratamento de lesões graves na medula espinhal.

Segundo a cientista, a medida foi necessária para evitar a perda do registro da tecnologia desenvolvida ao longo de décadas de pesquisa. “A patente nacional foi concedida em 2025, depois de 18 anos. Nós temos, só que uma patente só dura 20 anos. A internacional foi perdida, parou de pagar, perde e nunca mais recupera. Com isso poderão copiar à vontade [no exterior]”, disse.

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Ela explicou que o pedido de patente foi feito ainda em 2007, quando a pesquisa estava em estágio inicial. “Nós fizemos um pedido de patente em 2007 quando estava muito longe disso ter um efeito e testar em humanos. Porque nós, como grupo de pesquisa na universidade, entendíamos que poderia virar um medicamento”, afirmou.

Corte de recursos levou à perda da patente internacional

De acordo com Tatiana, a perda da patente internacional ocorreu após cortes orçamentários que afetaram a universidade entre 2015 e 2016, momento de transição entre os governo Dilma Rousseff e Michel Temer . Sem recursos para manter as taxas de proteção no exterior, o registro acabou sendo abandonado.

“A patente internacional não foi concedida porque a UFRJ teve um corte de recursos, muito na época de 2015, 2016, e aí não tinha dinheiro para pagar. Então parou de pagar as patentes internacionais e nós perdemos tudo e ficamos só com a nacional, que eu paguei do meu bolso por um ano para poder não perder”, declarou.

Ao comentar a situação, a pesquisadora fez um alerta sobre o impacto de restrições orçamentárias na área científica. “Esses cortes de gastos têm consequências”, afirmou.

Substância pode ajudar pacientes com paralisia

A polilaminina é uma proteína experimental desenvolvida para estimular a reconexão de neurônios danificados na medula espinhal. O tratamento já possibilitou recuperação parcial de movimentos em pacientes paraplégicos e tetraplégicos, segundo resultados preliminares.

A substância é produzida a partir da proteína laminina, obtida de placentas humanas, e busca reproduzir condições semelhantes às do desenvolvimento embrionário para favorecer o crescimento neural.

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Lesões medulares estão entre os maiores desafios da medicina, já que o organismo tem capacidade limitada de regenerar neurônios. Estima-se que mais de 15 milhões de pessoas no mundo convivam com esse tipo de condição.

Pesquisa levou mais de duas décadas

A potencial terapia é resultado de cerca de 25 anos de pesquisa coordenada por Tatiana, chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ.

Desde 2021, o projeto conta com parceria do laboratório Cristália, responsável por colaborar no desenvolvimento e nos testes clínicos da substância.

Em janeiro, a polilaminina entrou na fase 1 de testes clínicos, etapa voltada à avaliação da segurança e dos primeiros sinais de eficácia em pacientes.

Leia mais: Ex-ginasta Laís Souza conhece paciente que voltou a andar após tratamento experimental com polilaminina

Próximas fases ainda podem levar anos

Nos testes atuais, a substância está sendo aplicada diretamente na medula espinhal por meio de injeção. No entanto, os pesquisadores avaliam que o formato final do tratamento pode ser diferente.

A fase 1 deve durar pelo menos seis meses, enquanto as fases 2 e 3, necessárias para confirmar eficácia e segurança em maior escala, podem levar vários anos.

Apesar dos desafios, a trajetória da polilaminina é vista como exemplo de inovação científica no país, com cooperação entre universidade e indústria farmacêutica para o desenvolvimento de uma possível terapia inédita.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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