Coffee parties chegam ao Brasil e unem jovens, café e diversão matinal
A proposta une música eletrônica e café como alternativa às raves com álcool.

Foto: Divulgação/Café Cultura
Notícias do Brasil – Uma nova modalidade de diversão, as chamadas coffee parties, começa a fazer sucesso no Brasil, após ter nascido nos Estados Unidos no início dos anos 2010 e se espalhado pela Europa, especialmente em Berlim. A proposta combina música eletrônica e café, oferecendo uma alternativa mais conservadora às tradicionais raves regadas a álcool.
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A batida de música eletrônica ecoa desde as 11 horas da manhã, com DJs comandando festas em que os jovens dançam em agitação máxima, movidos a café. A tendência reflete mudanças de comportamento entre os mais jovens, que têm se afastado dos excessos. Segundo dados do estudo Covitel, no auge da pandemia de covid-19, em 2020, 10,7% dos jovens de 18 a 24 anos no Brasil bebiam três ou mais vezes por semana; atualmente, esse índice caiu para 8,1%.
O interesse crescente da chamada geração Z pelo café também contribuiu para o fenômeno. Segundo dados da Euromonitor International, encomendados pela Associação Brasileira da Indústria de Café, a faixa etária de 16 a 25 anos é a que mais consome a bebida, superando até mesmo o grupo da maturidade. A cafeína, reconhecida por seu poder estimulante, é consumida com moderação, algo como três a quatro xícaras pequenas por dia, sendo associada a benefícios para a saúde, especialmente na prevenção de doenças cardiovasculares.
Para Daniel Libânio, CEO da Mocca, cafeteria de Belo Horizonte que promove coffee parties, “os jovens têm saído menos à noite, buscam um estilo de vida mais controlado”. O modelo também atrai um público mais velho, e embora o álcool não tenha sido banido, em algumas situações ele acabou ficando em segundo plano.
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O formato das festas é diverso. A cafeteria Keopi, em Fortaleza, inspirada na cultura asiática, promove eventos com k-pop, degustação de café gelado e drinques não alcoólicos. Irislane Vieira, sócia do estabelecimento, afirma que “é um modo de reunir a paixão pelo entretenimento da Coreia com a popularidade do café e a dança”.
Há ainda coffee parties mais tranquilas, com sessões de ioga, silêncio e encontros empresariais voltados para networking e marketing. Grandes marcas também têm aderido: a edição brasileira do festival Tomorrowland promoveu um café da manhã para divulgar o evento; Starbucks e Farm lançaram coleções de roupas; e a Fenty Beauty realizou um encontro em Salvador com café e os lemas “Escapar do brain rot” e “criar conexões profundas”.
Para quem preza por intensidade com moderação, o escritor gaúcho Caio Fernando Abreu, defensor de todas as liberdades, resumiu poeticamente: “Um café e um amor. Quentes por favor. Pra ter calma nos dias frios, pra dar colo quando as coisas estiverem por um fio”.
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