Companhias aéreas alegaram que cobrar por bagagem reduziria preços, mas 8 anos depois valor das passagens aumentaram absurdamente
Na prática, o consumidor paga mais para viajar com menos conforto e mais restrições.
- Montagem: Andrei Morais / Shutterstock
Notícias do Brasil – A promessa das companhias aéreas em 2017 era simples: cobrar pela bagagem significaria passagens mais baratas. Oito anos depois, a conta não fecha. Segundo levantamento do site Metrópoles com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), as empresas do setor arrecadaram quase R$ 7 bilhões com taxas de bagagem entre 2017 e 2025 — e as tarifas aéreas não apenas deixaram de cair, como ficaram ainda mais caras.
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Em agosto de 2017, o preço médio de uma passagem doméstica no Brasil era de R$ 552,51. Oito anos depois, em agosto de 2025, o valor subiu para R$ 650,91 — um aumento real, mesmo com reduções pontuais durante a pandemia. Na prática, o consumidor paga mais para viajar com menos conforto e mais restrições.
A mudança nas regras de bagagem foi aprovada pela Anac sob forte lobby das companhias, que alegavam que o fim da franquia obrigatória reduziria custos operacionais e estimularia a concorrência. O discurso, porém, nunca se confirmou. O setor viu a concentração aumentar, com menos empresas dominando o mercado e ampliando margens de lucro, enquanto o preço final para o passageiro subiu.
Agora, o tema volta ao centro do debate com uma nova polêmica: a tentativa das companhias de criar tarifas adicionais até para a bagagem de mão. A proposta provocou reação imediata de consumidores e órgãos de defesa do consumidor. O Procon-SP já notificou as principais empresas do setor por falta de transparência na precificação das passagens e por induzir o cliente ao erro na compra de bilhetes “sem bagagem”, muitas vezes escondendo informações em letras miúdas.
O Congresso Nacional também reagiu. Nesta terça-feira (21/10), a Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para o projeto de lei que proíbe as companhias de cobrarem taxas extras por bagagem. O texto deverá ser analisado diretamente pelo plenário, sem passar por comissões. Caso aprovado, as empresas serão obrigadas a incluir pelo menos uma bagagem de mão gratuita no valor do bilhete.
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A iniciativa busca conter o que parlamentares e entidades chamam de “indústria da taxa” — uma estratégia que fatiou o serviço aéreo em cobranças adicionais: escolha de assento, embarque prioritário, despacho de mala e até impressão de bilhete no aeroporto. O resultado é um modelo de negócios que se apoia em tarifas acessórias, mas deixa o consumidor com a sensação de pagar mais por menos.
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Enquanto isso, as companhias aéreas justificam o aumento das passagens com o alto custo do combustível e a desvalorização do real. Porém, especialistas do setor apontam que o volume de arrecadação com bagagens e serviços extras já compensou parte significativa desses custos. A falta de regulação específica e a ausência de concorrência real entre as grandes operadoras ajudam a manter o preço alto e o serviço defasado.
O caso reacende uma velha discussão sobre o papel da Anac, que em 2017 prometeu “maior transparência e competitividade” ao liberar as cobranças. O que se viu, segundo entidades de defesa do consumidor, foi o oposto: um mercado mais concentrado, passagens mais caras e passageiros cada vez mais insatisfeitos.
Enquanto o Congresso discute o retorno da gratuidade mínima, o consumidor segue pagando a conta — e caro.
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