Congresso derruba veto de Lula e impõe nova derrota ao governo com PL da Dosimetria
Câmara e Senado aprovam redução de penas para condenados do 8 de janeiro em votação que amplia crise entre Executivo e Legislativo.
- Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Resumo
Congresso derruba veto de Lula ao PL da Dosimetria e aprova redução de penas para condenados do 8 de janeiro, ampliando desgaste político do governo.
Notícias do Brasil – O Congresso Nacional impôs mais uma derrota ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao derrubar, nesta quinta-feira (30), o veto ao chamado PL da Dosimetria. A decisão permite a redução de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e evidencia o desgaste político do governo na relação com o Legislativo.
A votação ocorreu poucos dias após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao Supremo, reforçando um cenário de dificuldades na articulação política do Planalto.
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Votação expressiva na Câmara e no Senado
Na Câmara dos Deputados, a derrubada do veto contou com 318 votos favoráveis e 144 contrários, superando com folga o mínimo necessário de 257 votos. Já no Senado Federal, o resultado também foi amplo: 49 votos pela derrubada contra 24 pela manutenção.
Os números demonstram uma convergência significativa entre parlamentares de diferentes partidos, inclusive com apoio de setores que, em outros momentos, estiveram alinhados ao governo.
Projeto reduz penas e pode beneficiar condenados
O PL da Dosimetria prevê mudanças na forma de aplicação das penas para crimes relacionados aos atos antidemocráticos de janeiro de 2023. A proposta abre caminho para a redução de punições e pode beneficiar ao menos 190 pessoas, segundo estimativas apresentadas pelo ministro Alexandre de Moraes.
Entre os possíveis beneficiados está o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar por questões de saúde, embora ainda esteja formalmente em regime fechado após condenação superior a 27 anos.
Mudanças podem acelerar progressão de regime
De acordo com projeções de especialistas, a nova legislação pode antecipar a progressão de regime para condenados. No caso de Jair Bolsonaro, a expectativa é que a mudança reduza o tempo necessário para a transição ao regime semiaberto.
Leia mais: Congresso se articula para derrubar veto de Lula à Lei da Dosimetria
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Pelas regras atuais, a progressão só ocorreria a partir de 2033, conforme dados da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal. Com a nova lei, esse prazo pode cair para um intervalo entre dois e quatro anos.
Promulgação pode ocorrer em até 48 horas
Com a derrubada do veto, o texto segue para promulgação. O presidente da República terá até 48 horas para sancionar a nova lei. Caso não o faça, a responsabilidade passará ao presidente do Senado.
Após a publicação oficial, as novas regras entram em vigor imediatamente, impactando processos em andamento e execuções penais já definidas.
Lei ainda pode ser questionada no STF
Mesmo após entrar em vigor, o PL da Dosimetria poderá ser alvo de questionamentos no Supremo Tribunal Federal. A Corte poderá analisar a constitucionalidade das mudanças, especialmente diante do impacto direto em decisões já proferidas.
A possibilidade de judicialização adiciona um novo capítulo à disputa política e jurídica em torno do tema.
Decisão amplia tensão entre Poderes
A derrubada do veto ocorre em meio a uma relação já desgastada entre o governo e o Congresso. A sequência de derrotas, incluindo a rejeição de um indicado ao STF, reforça a percepção de fragilidade da base governista.
O episódio também evidencia a autonomia do Legislativo em pautas sensíveis e amplia o embate político em torno da condução da política penal no país.
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