CPMI do INSS rejeita convocação de Frei Chico e mantém sigilo de Lupi em meio a embates políticos
Comissão que apura fraudes no INSS dá vitória ao governo Lula e adia análise sobre quebra de sigilos do ex-ministro Carlos Lupi.
- Agência Senado
Notícias do Brasil – Após uma manhã marcada por bate-bocas e intensas discussões, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS rejeitou, nesta quinta-feira (16/10), o requerimento que pedia a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas (Sindnapi) e irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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A decisão representa uma vitória para o governo, que vinha sofrendo sucessivas derrotas em outras frentes no Congresso. Também foi retirada de pauta a votação do pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, além de rejeitado o requerimento de prisão preventiva contra o presidente do Sindnapi, Milton Cavalo Batista.
Durante a sessão, os parlamentares analisaram mais de 100 requerimentos, entre eles pedidos de convocação, quebras de sigilo e novas oitivas. Em contraste com a proteção a Lupi e Frei Chico, a CPMI aprovou a quebra de sigilo do advogado Eli Cohen, um dos primeiros a denunciar as supostas fraudes nas filiações e descontos indevidos de aposentados.
Por outro lado, o colegiado rejeitou investigar as contas da publicitária Danielle Fonteles, que teria recebido pagamentos de Antonio Carlos Camilo, o “Careca do INSS”, outro investigado no caso.
A CPMI também ouviu o depoimento de Cícero Marcelino de Souza Santos, assessor do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares (Conafer). Segundo a Polícia Federal (PF), ele atuava como intermediário entre entidades suspeitas e servidores do INSS.
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As investigações sobre o esquema foram impulsionadas por reportagens exclusivas do portal Metrópoles, publicadas desde dezembro de 2023. O material jornalístico revelou que entidades ligadas a aposentados arrecadaram cerca de R$ 2 bilhões em um ano, muitas vezes sem autorização dos segurados, levando à abertura de inquéritos da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU).
Em abril, essas apurações culminaram na Operação Sem Desconto, que resultou nas demissões do então presidente do INSS e do ex-ministro Carlos Lupi. O Sindnapi também foi alvo de operação da PF no último dia 9 de outubro, por descontos irregulares em benefícios previdenciários.
Com a votação desta quinta-feira, a CPMI segue dividida entre aliados e opositores do governo, enquanto tenta avançar nas apurações sobre o maior escândalo recente envolvendo o sistema previdenciário brasileiro.
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