Crise entre Planalto e Congresso ameaça orçamento de 2026 e indicação de Jorge Messias ao STF
Integrantes do governo admitem que a crise já ameaça dois pilares fundamentais da agenda do presidente Lula.
- Foto: VINÍCIUS SCHMIDT
Notícias do Brasil – A relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional atravessa seu momento mais tenso do ano, colocando em risco votações estratégicas para o governo e expondo a fragilidade da articulação política comandada pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
Nos bastidores, integrantes do governo admitem que a crise já ameaça dois pilares fundamentais da agenda do presidente Lula: a aprovação do Orçamento de 2026 e a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal.
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Apesar disso, Gleisi tenta minimizar o conflito e insiste que não houve ruptura com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A orientação interna é reforçar que as portas da interlocução institucional continuam abertas — ainda que os últimos movimentos do Congresso indiquem o contrário.
Governo pressiona por votações prioritárias
Nos últimos dias, Gleisi Hoffmann se reuniu com Hugo Motta para entregar uma lista de prioridades que o Planalto deseja ver avançar ainda em 2025. Entre elas:
PEC da Segurança Pública
Projeto que reduz benefícios tributários
Proposta que endurece punições a devedores contumazes
Este último item ganhou força após a megaoperação contra sonegadores, deflagrada na quinta-feira (27). Depois de quase três meses de impasse, Motta escolheu um nome mais moderado do PL para relatar a matéria.
Risco de pautas-bomba e impacto fiscal
Com a articulação fragilizada, cresce o temor dentro do governo de que o Congresso avance em pautas-bomba, medidas que podem gerar forte impacto fiscal e dificultar o fechamento das contas públicas.
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Aliados de Lula afirmam que o presidente pretende conversar pessoalmente com Davi Alcolumbre para tentar conter a crise que envolve a indicação de Jorge Messias ao STF.
Derrubada de vetos amplia desgaste
O clima ficou ainda mais pesado nesta quinta-feira, quando o Congresso derrubou a maior parte dos vetos presidenciais à lei de licenciamento ambiental. A decisão é considerada, dentro do governo, um recado direto ao Planalto.
Alcolumbre reagiu às críticas e negou que a votação tenha sido motivada por retaliação. Já Gleisi Hoffmann criticou publicamente o resultado, afirmando que a decisão “contraria o esforço do governo diante da COP 30”. Nas redes sociais, classificou a derrota como “uma péssima notícia”.
Cenário incerto para o fim do ano
Com o Congresso mobilizado para dar demonstrações de força e o Planalto pressionado a liberar emendas, negociar cargos e reorganizar sua base, o risco de paralisia legislativa aumenta.
A poucos dias do encerramento do ano legislativo, a crise política se torna um dos maiores obstáculos para que o governo feche 2025 com alguma estabilidade institucional.
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