Damares revela que CPMI descobriu envolvimento de grandes igrejas e pastores na fraude do INSS
Senadora afirma que líderes religiosos estão entre investigados e defende continuidade das apurações até atingir todos os envolvidos.
- Foto: Agência Senado
Resumo
A senadora Damares Alves afirma que a CPMI das fraudes do INSS enfrenta pressão externa para não investigar pastores e igrejas envolvidas no esquema. Segundo ela, a comissão já identificou lideranças religiosas ligadas a desvios e sofre lobby para travar o avanço das apurações. O presidente da CPMI, Carlos Viana, quer prorrogação por 60 dias para aprofundar diligências, rastrear patrimônio oculto e ouvir novos depoimentos.
Notícias do Brasil – A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), integrante da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga fraudes no INSS, afirmou que o colegiado tem enfrentado pressões externas para desacelerar as apurações. Segundo ela, parte das reações vem de grupos que tentam impedir que a estrutura da comissão avance sobre nomes ligados a instituições religiosas e pastores influentes.
Em entrevista ao SBT News neste domingo, Damares disse que a CPMI já identificou o envolvimento direto de igrejas de grande porte em operações de fraude contra aposentados e pensionistas.
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“Nós estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes aos aposentados”, relatou. Segundo a parlamentar, ao surgir o nome de um pastor reconhecido, aparecem as pressões: “Não falem, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes”.
URGENTE – Senadora Damares diz que foram descobertas igrejas nos esquemas de fraudes do INSS e pastores estão pedindo para pararem as investigações
“Grandes igrejas no Brasil estão sendo apontadas na CPMI do INSS. E isso me machuca muito.” pic.twitter.com/MLYueSHbcL
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) January 12, 2026
Pastores e instituições religiosas no radar
A senadora afirmou que as descobertas surpreenderam até os próprios parlamentares.
De acordo com Damares, a CPMI alcançou espaços, pessoas e redes de influência que não eram cogitados inicialmente pelos investigadores.
“Essa CPMI está chegando em lugares que jamais imaginávamos. Grandes igrejas do Brasil estão sendo apontadas. Isso me machuca muito”, disse.
Apesar de destacar que as instituições religiosas cumprem importante papel social, a senadora afirmou que não haverá blindagem: qualquer organização citada será investigada.
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Lobby para travar apurações, diz senadora
Damares afirma que a reação à investigação tem crescido na mesma velocidade que surgem novos indícios.
Segundo ela, a CPMI está enfrentando lobbies diretos para evitar que os nomes identificados sejam revelados publicamente e para limitar o alcance dos depoimentos e quebras de sigilo.
Embora não tenha detalhado os autores dessas pressões, Damares indicou que parlamentares, representantes institucionais e até comunidades religiosas tentam interferir nos rumos do inquérito legislativo.
Comissão defende que investigações prossigam
Na mesma entrevista, a senadora disse acreditar que o trabalho marca uma mudança no padrão das CPIs e CPMIs do Congresso Nacional, historicamente marcadas por disputas políticas.
Segundo ela, o colegiado atual deverá apontar responsabilidades em governos de espectros distintos, indicando que o caso não se limita ao comando de um único período de gestão pública.
Damares afirmou que o objetivo central do colegiado é apresentar resultados concretos e disse que o processo “marca uma nova era das comissões parlamentares no país”.
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Presidente pede prorrogação por 60 dias
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), confirmou que o grupo pretende apresentar em fevereiro um balanço preliminar com base no material analisado em 2025.
A comissão recebeu documentos de diferentes órgãos de fiscalização e encaminhou pedidos de quebra de sigilo bancário e empresarial.
Com o prazo regimental previsto para encerrar em março, Viana já defendeu oficialmente que o Congresso prorrogue os trabalhos.
Em nota, ele afirmou que o tempo restante é insuficiente para analisar a documentação que ainda chega ao colegiado e ouvir todos os nomes previstos para depoimento.
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Para o senador, a prorrogação é indispensável para mapear patrimônio oculto, identificar operadores, confirmar ligações entre instituições e garantir que os responsáveis sejam indiciados.
“É absolutamente indispensável prorrogar a CPMI por mais 60 dias”, disse.
Próximos passos
A comissão deve realizar audiências temáticas, acionar novamente a Polícia Federal e detalhar os supostos esquemas que utilizavam igrejas e entidades religiosas como fachada para fraudar beneficiários do INSS.
Parlamentares reservam cautela sobre a divulgação de novos nomes, mas afirmam que a CPMI já encontrou indícios robustos de participação organizada, que pode envolver líderes regionais e instituições com capilaridade nacional.
Se a prorrogação for aprovada, os trabalhos seguirão até maio de 2026, com possibilidade de encaminhamento de indiciamentos, recomendações de mudança legal e eventuais pedidos de investigação formal ao Ministério Público.
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