Dark Horse: entenda suspeitas que motivaram operação contra produtora
Investigação apura suposto desvio de recursos públicos após a produtora de Dark Horse ser contratada para instalar Wi-FI em São Paulo

FOTO: Divulgação
Resumo
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou uma operação para investigar suspeitas de fraude e desvio de recursos públicos envolvendo uma ONG ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração envolve contratos firmados com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de internet em comunidades da capital.
Notícias do Brasil – A empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment Ltda, responsável pelo filme Dark Horse, tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo que apura supostos desvios de recursos públicos em contratos firmados entre uma ONG sob sua gestão e a Prefeitura da capital paulista. Nesta segunda-feira (1º), agentes cumpriram mandados de busca e apreensão relacionados ao caso.
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Contrato para instalação de Wi-Fi está no centro da investigação
Segundo as investigações, a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), também administrada por Karina, foi contratada pelo município para instalar e manter pontos de acesso à internet em comunidades periféricas da cidade.
As suspeitas surgiram após um pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que questionou a regularidade do processo de contratação. De acordo com a Polícia Civil, o chamamento público teve apenas a participação do ICB, que não teria histórico ou experiência comprovada na área de telecomunicações.
Polícia aponta possíveis irregularidades
A investigação destaca que a entidade atuava principalmente na organização de feiras literárias e eventos culturais ou religiosos, sem histórico de atuação no setor de tecnologia e conectividade.
Além disso, os investigadores apontam que os valores contratados seriam superiores aos praticados no mercado. Conforme a apuração, o instituto teria recebido R$ 1.800 mensais por cada ponto de internet instalado, valor considerado acima do custo praticado por empresas públicas do setor.
Metas não teriam sido cumpridas
Outro ponto investigado é o cumprimento das metas previstas no contrato. O cronograma estabelecia a instalação de 5 mil pontos de internet até junho de 2025, mas, segundo a polícia, cerca de 3,2 mil teriam sido entregues.
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A apuração também aponta que a Prefeitura teria realizado pagamentos antecipados que somam aproximadamente R$ 26 milhões, mesmo diante de supostos problemas na execução do serviço.
Suspeita envolve financiamento cruzado
Os investigadores também analisam a possibilidade de que recursos recebidos pela ONG tenham sido utilizados de forma irregular para financiar a produção do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
O longa-metragem, produzido pela Go Up Entertainment, tem orçamento estimado entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões. A polícia busca identificar se houve transferência indevida de recursos públicos para atividades ligadas à produção cinematográfica.
Prefeitura nega irregularidades
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que está colaborando com as investigações e que toda a documentação solicitada já havia sido disponibilizada às autoridades.
A administração municipal também afirmou que o programa de internet comunitária segue funcionando normalmente e contestou as informações sobre descumprimento de metas e pagamentos indevidos. Segundo a prefeitura, os contratos seguiram os critérios legais de transparência, economicidade e prestação de contas.
Defesa ainda não se manifestou
Até o momento, Karina Ferreira da Gama não havia se pronunciado publicamente sobre as acusações. A reportagem informou que buscou contato com a empresária e aguarda posicionamento.
As investigações seguem em andamento e deverão apurar se houve fraude na contratação, desvio de recursos públicos ou eventual utilização irregular dos valores recebidos pela ONG.
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