Decreto de Lula que privatiza rios na Amazônia vira alvo de protesto por indígenas e acende alerta ambiental
Os trechos abrangem áreas estratégicas dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins.
- Foto: Comunicação/CITA
Resumo
A inclusão de trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização, por meio do Decreto nº 12.600/2025, desencadeou uma ocupação indígena no porto da Cargill, em Santarém (PA). Lideranças denunciam riscos ambientais e ausência de consulta prévia às comunidades afetadas.
Notícias do Brasil – O Decreto nº 12.600/2025 incorporou mais de 3 mil quilômetros de hidrovias amazônicas ao Programa Nacional de Desestatização (PND). Na prática, a medida abre caminho para concessões à iniciativa privada com o objetivo declarado de modernizar a navegação e ampliar a infraestrutura logística na região Norte.
PUBLICIDADE
Leia mais: Paciente paraplégico volta para academia 15 dias após tratamento experimental com polilaminina
Os trechos abrangem áreas estratégicas dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, considerados corredores fundamentais para o escoamento de grãos e minérios destinados ao mercado internacional.
Críticos afirmam que o plano pode intensificar intervenções como dragagens, derrocamentos e ampliação de portos, alterando a dinâmica dos rios e seus ecossistemas.
Ocupação em Santarém
Desde 22 de janeiro, pelo menos 14 etnias do Baixo Tapajós ocupam a área do terminal da multinacional Cargill em Santarém, no Pará. A mobilização inclui bloqueios simbólicos, atos públicos e pressão para que o governo federal revogue o decreto.
Os manifestantes defendem que os rios são territórios de vida, cultura e subsistência, e que a ampliação da navegação comercial pode comprometer a pesca, a segurança alimentar e áreas consideradas sagradas.
Mesmo após reuniões com representantes do governo, as lideranças mantêm o protesto, afirmando que a suspensão pontual de editais não resolve o ponto central da reivindicação: a retirada definitiva das hidrovias do PND.
PUBLICIDADE
Debate sobre consulta prévia
Organizações como o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA/CITABT) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) alegam que não houve consulta livre, prévia e informada às comunidades impactadas, conforme determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Segundo essas entidades, estudos técnicos e planejamentos avançaram sem diálogo efetivo com os povos que vivem nos territórios atravessados pelas hidrovias.
A discussão também envolve o cumprimento de compromissos anunciados durante a COP30, realizada em Belém, quando representantes do governo prometeram ampliar canais de diálogo sobre projetos de infraestrutura na região.
Impactos ambientais e sociais em discussão
Especialistas e movimentos sociais apontam que intervenções em larga escala nos rios amazônicos podem alterar sedimentos, afetar a biodiversidade aquática e modificar ciclos naturais fundamentais para comunidades ribeirinhas e indígenas.
Além dos efeitos ambientais, há preocupação com o aumento da pressão sobre territórios tradicionais e possíveis conflitos fundiários ligados à expansão do agronegócio exportador.
Para sindicatos e organizações sociais, o debate envolve também soberania nacional e modelo de desenvolvimento, contrapondo projetos baseados na exportação de commodities a propostas centradas na proteção ambiental e nos direitos coletivos.
Mobilização continua
A resistência no Tapajós reúne povos indígenas, movimentos sociais e entidades sindicais, que defendem a revogação do Decreto nº 12.600/2025 e o respeito integral aos mecanismos de consulta previstos em acordos internacionais.
Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos






