O Brasil atingiu em 2025 o maior número de feminicídios já registrado no país. Foram 1.568 ocorrências ao longo do ano, de acordo com dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. O número representa uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em contextos relacionados à misoginia e à violência doméstica.
O levantamento também aponta crescimento em relação ao ano anterior. Em 2024, o país havia registrado 1.492 casos, o que indica um aumento de 4,7%. Quando comparado ao início da série histórica, em 2015, quando foram contabilizadas 449 ocorrências, o aumento chega a aproximadamente 250%.
Canal de acolhimento e denúncia
Diante desse cenário preocupante, a Hapvida mantém o Canal Delas, iniciativa criada em parceria com o Instituto Justiça de Saia por meio do Projeto Justiceiras. A plataforma funciona como um sistema seguro e sigiloso voltado à denúncia e ao acolhimento de mulheres em situação de violência.
Desde a implementação da ferramenta, em 2022, o canal já registrou mais de 360 ocorrências. Desse total, pelo menos 111 mulheres receberam atendimentos mais aprofundados, com acompanhamento especializado.
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Segundo o head de Sustentabilidade e Impacto Social da Hapvida, Flavio Freire, a iniciativa vai além de um canal de denúncias. Ele explica que a proposta é oferecer uma rede multidisciplinar capaz de orientar vítimas sobre medidas protetivas, registro de ocorrência, acesso a serviços públicos e caminhos para reconstrução da autonomia e da dignidade.
Inicialmente voltado apenas para colaboradoras da empresa, o serviço foi ampliado e atualmente também atende beneficiárias do plano de saúde e o público em geral.
Representatividade feminina na empresa
A relevância do tema também está relacionada à composição da própria companhia. De acordo com a Hapvida, cerca de 75% do quadro de colaboradores é formado por mulheres, o que representa mais de 58 mil profissionais.
Essa presença significativa também se reflete nas posições de liderança, nas quais a participação feminina tem papel importante na condução de equipes e no desenvolvimento estratégico da empresa.
Barreiras emocionais e importância da escuta
A psicóloga Karolayne Oliveira, da Hapvida, destaca que muitas mulheres enfrentam dificuldades emocionais antes de buscar ajuda. Segundo ela, o medo costuma ser um fator determinante para o silêncio.
Entre os receios mais comuns estão a perda da estabilidade financeira, o afastamento dos filhos ou a sensação de perder tudo o que foi construído ao lado do parceiro.
A especialista ressalta que sair de um relacionamento abusivo não é um processo simples e que a ajuda profissional pode ser decisiva nesse momento. As denúncias podem ser feitas de forma anônima e a construção de uma rede de apoio também é considerada fundamental.
Ela também destaca a importância da psicoeducação. Quando a mulher compreende os sinais de violência e o comportamento de um agressor, torna-se mais preparada para reconhecer a situação e buscar ajuda antes que o cenário se agrave.
Quebrar o silêncio para salvar vidas
Para a advogada Gabriela Manssur, fundadora do Projeto Justiceiras e especialista na defesa dos direitos das mulheres, romper o silêncio é um passo essencial no enfrentamento da violência.
Segundo ela, iniciativas como o Canal Delas ajudam a interromper ciclos de agressão antes que evoluam para situações mais graves, como o feminicídio.
A advogada também destaca o papel das empresas nesse processo. Informar, conscientizar e oferecer canais seguros de acolhimento são medidas consideradas fundamentais para ampliar a proteção às vítimas e reduzir os índices de violência.
Como denunciar
As denúncias podem ser feitas pela própria vítima ou por terceiros, de forma sigilosa e disponível 24 horas por dia, sete dias por semana.
O Canal Delas está acessível pelo portal e aplicativo da Hapvida — destinados a beneficiárias — ou pelo perfil da empresa no Instagram. Após o envio da denúncia, o caso é encaminhado para uma rede multidisciplinar de especialistas voluntárias do Projeto Justiceiras, que prestam apoio jurídico, psicológico, médico e socioassistencial.