Empresa investigada pela PF no Amapá recebeu R$ 10,8 bilhões do governo federal e soma R$ 23 bilhões em contratos
O auge ocorreu em 2023, primeiro ano do governo Lula, quando a construtora firmou acordos que totalizam R$ 10 bilhões.
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Notícias do Brasil – A LCM Construção e Comércio, empresa investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de fraudes em licitações no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) do Amapá, já recebeu aproximadamente R$ 10,8 bilhões em repasses do governo federal. Segundo dados do Portal da Transparência, os contratos da empresa com a União somam mais de R$ 23 bilhões, parte deles financiada por emendas parlamentares.
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Criada em 2014, a LCM cresceu rapidamente após o enfraquecimento das grandes empreiteiras brasileiras, atingidas pela Operação Lava Jato. Entre 2014 e 2018, já havia fechado cerca de R$ 3,1 bilhões em contratos públicos. O auge ocorreu em 2023, primeiro ano do governo Lula, quando a construtora firmou acordos que totalizam R$ 10 bilhões. Durante o governo Bolsonaro, foram R$ 6,9 bilhões em contratos.
A atuação da LCM cobre quase todos os estados do país, com exceção de São Paulo e Goiás. Entre os contratos mais recentes, estão serviços na BR-235, na Bahia, e na BR-470, no Rio Grande do Sul. No Amapá, epicentro das investigações da PF, há cinco contratos ativos entre 2021 e 2024, que somam R$ 192 milhões.
A operação da PF, batizada de Route 156, investiga um suposto esquema criminoso de direcionamento de licitações e desvio de recursos públicos em obras da BR-156. Segundo os investigadores, uma organização atuava dentro da Superintendência do Dnit no Amapá, fraudando pelo menos quatro pregões eletrônicos, que juntos somam R$ 60 milhões. Um dos alvos foi o superintendente do órgão, Marcello Linhares, afastado por decisão judicial por 10 dias.
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Outro foco da apuração é o empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Breno é suspeito de ter usado sua influência política e proximidade com Alcolumbre para liberar verbas. A investigação também envolve o presidente da LCM, Luiz Otávio Fontes Junqueira, que teria se beneficiado de licitações direcionadas, utilizando, segundo a PF, um esquema de lavagem de dinheiro com saques fracionados realizados por terceiros. O montante desses saques seria de R$ 680 mil.
Durante busca e apreensão na residência de Junqueira, em Nova Lima (MG), a PF apreendeu três carros da marca Porsche.
A LCM nega qualquer irregularidade em suas operações no Dnit do Amapá. Em nota, afirmou que “a empresa e seu diretor estão à inteira disposição das autoridades, confiando que os fatos sob investigação serão prontamente esclarecidos”.
Já a assessoria do senador Davi Alcolumbre afirmou que ele “não possui qualquer relação com as empresas citadas na operação” e “reitera seu respeito às instituições”, defendendo que todos os envolvidos devem prestar os devidos esclarecimentos à Justiça.
O Dnit, por sua vez, disse colaborar com as investigações e repudiar práticas fraudulentas. A autarquia destacou ainda que possui uma Política Antifraude e Anticorrupção, e que suas instâncias de integridade estão apurando os fatos para tomar as medidas administrativas cabíveis.
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