Empresa ligada ao “Careca do INSS” repassou R$ 700 mil a ministra do STM, aponta Coaf
A transação ocorreu antes de Sterman assumir o cargo de ministra do STM, para o qual foi nomeada em setembro pelo presidente Lula.
Por Jonas Souza
12/01/2026 às 16:52
Resumo da IA
Este resumo foi gerado automaticamente por inteligência artificial.
Resumo
Relatórios do Coaf apontam que uma empresa ligada ao empresário conhecido como “Careca do INSS” repassou R$ 700 mil ao escritório de advocacia da ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Sterman, antes de sua posse no cargo. O pagamento entrou na mira da CPMI do INSS e levanta questionamentos sobre a atuação da firma, investigada por suspeitas de movimentações financeiras atípicas.
Notícias do Brasil – Uma empresa apontada pela Polícia Federal como integrante do esquema financeiro do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, transferiu R$ 700 mil ao escritório de advocacia da atual ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Abdalla Sterman. A informação consta em Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e enviados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
Segundo os documentos, o pagamento foi realizado pela ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A, em parcela única, dentro do período analisado entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025. A transação ocorreu antes de Sterman assumir oficialmente o cargo de ministra do STM, para o qual foi nomeada em setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apesar do valor expressivo, não foram localizados registros de processos judiciais nos quais a ministra tenha atuado em favor da ACX ITC ou de outras empresas do mesmo grupo. O relatório indica ainda que a quantia saiu de uma conta da empresa no Banco do Brasil, aberta em São Caetano do Sul (SP), que movimentou mais de R$ 266 milhões em apenas quatro meses.
Em nota, a ministra afirmou que o pagamento se refere à elaboração de três pareceres jurídicos de natureza criminal, produzidos quando ainda exercia a advocacia. Segundo ela, os serviços foram contratados regularmente, os pareceres entregues dentro do prazo e a relação profissional encerrada após a conclusão dos trabalhos. Sterman também declarou desconhecer qualquer vínculo da empresa com o empresário conhecido como “Careca do INSS”.
A ACX ITC já apareceu em outros relatórios do Coaf por pagamentos semelhantes. Um deles envolve o escritório do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nefi Cordeiro, que teria recebido R$ 595 mil da mesma empresa após deixar a Corte. Assim como no caso da ministra do STM, não há registros públicos de atuação judicial do ex-ministro em favor da firma, que afirmou ter prestado serviços advocatícios.
As investigações apontam que a ACX ITC foi utilizada como uma das empresas para pulverizar recursos ligados ao esquema do “Careca do INSS”, dificultando o rastreamento da origem do dinheiro. A CPMI do INSS autorizou a quebra do sigilo fiscal da empresa após identificar repasses de ao menos R$ 4,4 milhões vindos da Arpar Participações e Empreendimentos, considerada pela Polícia Federal uma empresa de passagem usada para ocultar beneficiários finais.
Outro ponto que chama atenção é o histórico societário da ACX ITC. Uma das sócias iniciais, Erika Nogueira Marques da Costa, recebeu Auxílio Emergencial durante a pandemia e foi beneficiária do Bolsa Família por vários anos, período em que constava oficialmente como detentora de metade de uma empresa com capital social superior a R$ 100 milhões. Posteriormente, ela deixou a sociedade, que permaneceu sob controle de outro empresário.
Além das suspeitas financeiras, a empresa também é alvo de ações judiciais. Em um dos processos, uma advogada de Santa Catarina afirma ter investido R$ 780 mil na ACX ITC e não conseguiu resgatar os valores. Ela sustenta que a empresa integrava um grupo investigado por operar um suposto esquema de pirâmide financeira, tema que já foi analisado em CPI na Câmara dos Deputados.
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