Empresário se passa por juiz após ser expulso de torneio de tênis por racismo
Segundo relatos, o empresário dirigiu insultos racistas a um segurança do evento, chamando-o de “macaco”.
- Foto: reprodução
Notícias do Brasil – No Rio Open, torneio de tênis realizado no Jockey Club Brasileiro, no bairro da Gávea, um incidente envolvendo o empresário Murilo Miyazaki gerou grande repercussão. Expulso do evento sob acusação de racismo, Miyazaki afirmou ser juiz e ameaçou prender um dos seguranças que o escoltavam para fora do local.
Segundo relatos, o empresário dirigiu insultos racistas a um segurança do evento, chamando-o de “macaco”. A acusação foi formalizada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que o denunciou por injúria racial. Em um vídeo divulgado pelo portal Metrópoles, Miyazaki aparece exaltado, xingando funcionárias, ameaçando os seguranças e afirmando que “sairia no tapa” com quem tentasse retirá-lo.
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Relato do segurança e testemunhas
O segurança do evento, em depoimento, contou que foi acionado durante a partida para conter Miyazaki, que atrapalhava o andamento do jogo. Ao pedir que o empresário se acalmasse, recebeu xingamentos: “Não estou fazendo nada, não fiz nada, cara idiota, um merda, vai se foder, eu paguei…”. Logo depois, em tom mais baixo, o empresário teria murmurado “macaco”, de forma ofensiva.
Duas funcionárias que presenciaram a cena afirmaram ter sido alvos de insultos por parte de Miyazaki. Em um dos vídeos registrados, é possível ouvir o empresário chamando uma das funcionárias de “comunista, sapatão”.
Alegação de autoridade e confronto com seguranças
Ao ser escoltado para fora do evento, Miyazaki enfrentou os seguranças, desafiando-os: “Quer vir aqui? Vamos vir que nós vamos sair no tapa agora. Vai se foder, bando de bosta!”. Em meio ao tumulto, ele ainda usou um tom irônico para questionar sua expulsão: “A moça ficou brava com o quê?”.
Durante o trajeto até a saída, um agente advertiu o empresário e ameaçou prendê-lo caso continuasse com as ofensas. Miyazaki, então, se identificou falsamente como juiz de Bragança Paulista: “Saiba que eu sou juiz, prendo você. Você não me prende”.
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Ao chegar à ouvidoria do evento, ele negou as acusações e afirmou que apenas revidou insultos, alegando estar embriagado.
Prisão em flagrante e depoimento
Diante das acusações, Miyazaki foi preso em flagrante, mas acabou solto posteriormente. Em depoimento à delegacia, reafirmou que não proferiu insultos racistas e que apenas criticou a organização do evento. Como testemunha, levou o promotor de Justiça de Bragança Paulista, Rogério José Filocomo Junior, que declarou não ter ouvido insultos raciais ou homofóbicos. Segundo ele, Miyazaki apenas utilizou “xingamentos sem nexo”, como “comunista”.
Filocomo afirmou que acompanhou o amigo desde o início do evento e garantiu não ter escutado ofensas discriminatórias. Ele revelou ainda que ambos viajaram juntos ao Rio de Janeiro para prestigiar o torneio.
Denúncia do Ministério Público e defesa
O Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou denúncia formal contra Miyazaki, afirmando que ele, “de forma livre e consciente, injuriou” o segurança ao ofender sua dignidade com referências pejorativas à sua cor.
O advogado do empresário, Marco Aurélio Asseff, contestou a acusação e alegou que tudo não passou de um “mal-entendido”. Segundo ele, a confusão ocorreu porque a organização do evento exigiu silêncio durante a partida.
“Cabe esclarecer que Murilo não proferiu palavras racistas. A defesa confia em uma solução amigável e negociada para a conclusão do processo”, afirmou o advogado.
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