Empresas ligadas à família de Toffoli tiveram fundo associado ao caso Banco Master
O Arleen Fundo de Investimentos manteve participação societária em ao menos duas empresas com vínculos familiares com o magistrado.
Resumo
Empresas ligadas a familiares do ministro Dias Toffoli, do STF, tiveram participação societária de um fundo de investimentos conectado a estruturas financeiras usadas pelo Banco Master, atualmente investigado por suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro. A relação ocorre em meio ao fato de Toffoli ser relator do inquérito que apura o caso no Supremo.
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Notícias do Brasil – Empresas associadas a parentes do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli tiveram, nos últimos anos, como sócio um fundo de investimentos ligado a uma complexa estrutura financeira relacionada ao Banco Master, alvo de investigações por supostas fraudes. As informações constam em levantamento jornalístico que detalha a atuação de fundos e empresas conectados ao caso.
O Arleen Fundo de Investimentos manteve participação societária em ao menos duas empresas com vínculos familiares com o magistrado. Uma delas é a Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort localizado em Ribeirão Claro, no Paraná, empreendimento que contou com a presença de parentes de Toffoli em sua composição societária. O fundo também teve participação na DGEP Empreendimentos, incorporadora da mesma cidade que tinha como sócio um primo do ministro.
A ligação entre o Arleen e o caso Banco Master ocorre por meio de uma cadeia de fundos de investimento. O Arleen foi cotista do RWM Plus, que, por sua vez, recebeu recursos de fundos associados ao Maia 95, apontado pelo Banco Central como parte do esquema financeiro usado pelo banco comandado por Daniel Vorcaro. Apesar da conexão indireta, o Arleen não figura formalmente como alvo das investigações.
Esses fundos tinham como administradora a Reag, empresa que também gerenciava outros veículos financeiros relacionados a Vorcaro. A Reag é investigada na operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo investigadores, a estrutura de fundos teria sido utilizada para circular recursos e inflar artificialmente patrimônios por meio da compra de ativos de baixo valor.
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Dados de balanço indicam que o Arleen possuía apenas um cotista e foi encerrado no final de 2025, apesar de ter prazo de duração originalmente previsto para 20 anos. À época, seus investimentos estavam concentrados em quatro ativos, incluindo as empresas ligadas à família Toffoli e o fundo RWM Plus.
O caso ganha ainda mais relevância pelo fato de Dias Toffoli ser o relator no STF do inquérito que investiga as fraudes do Banco Master. O ministro assumiu o processo após recurso apresentado pela defesa de Daniel Vorcaro e determinou que o caso tramitasse sob sigilo, além de convocar diligências como a acareação com um diretor do Banco Central.
No histórico do empreendimento Tayayá, consta que o resort já recebeu elogios públicos por sua contribuição ao turismo local. Em anos anteriores, familiares do ministro integraram a sociedade, que passou por diversas mudanças na composição acionária ao longo do tempo. A presença do fundo Arleen na empresa chegou a representar quase a totalidade de sua carteira em determinado período, antes de ser reduzida nos anos seguintes.
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