Entenda a investigação da PF sobre a fraude bilionária nas Americanas
Nova fase da Operação Disclosure cumpre mandados no Rio e em São Paulo e apura participação de ex-executivos, acionistas e instituições financeiras no esquema

FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Resumo
A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure e ampliou as investigações sobre a fraude contábil estimada em R$ 24 bilhões nas Americanas. Além de ex-diretores da empresa, a ação passou a atingir acionistas, representantes de bancos privados e ex-funcionários da varejista. A Justiça também autorizou o bloqueio de até R$ 54 bilhões em bens e valores.
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Notícias do Brasil – A Polícia Federal cumpriu, nesta quinta-feira (25), nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo durante a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude contábil bilionária envolvendo as Americanas.
Nesta etapa, as investigações foram ampliadas para incluir, além de ex-diretores da companhia, acionistas de referência, representantes e funcionários de instituições financeiras privadas, além de ex-colaboradores da varejista.
Entre os alvos estão Paulo Lemann, filho do empresário Jorge Paulo Lemann, e o empresário Carlos Alberto Sicupira.
Leia também: PF faz operação contra ex-diretores das Lojas Americanas por fraude bilionária
Investigação apura manipulação de balanços
Segundo a Polícia Federal, as irregularidades teriam sido praticadas durante vários anos para esconder a real situação financeira da empresa e apresentar ao mercado balanços mais favoráveis do que a realidade.
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As investigações se concentram em dois principais eixos. O primeiro envolve operações conhecidas como risco sacado, modalidade utilizada para antecipação de pagamentos a fornecedores e que, segundo a PF, pode ter sido registrada de forma inadequada para reduzir artificialmente o endividamento da companhia.
O segundo eixo investiga as chamadas Verbas de Propaganda Cooperada (VPC). De acordo com os investigadores, parte desses valores teria sido registrada sem respaldo econômico, inflando receitas e melhorando artificialmente os resultados financeiros apresentados ao mercado.
Justiça autoriza bloqueio bilionário
Além das buscas, a Justiça Federal determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 54 bilhões para garantir eventual ressarcimento dos prejuízos causados pelas supostas fraudes.
A primeira fase da Operação Disclosure foi realizada em junho de 2024 e permitiu o aprofundamento das investigações que resultaram nas medidas adotadas nesta quinta-feira.
Os investigados são suspeitos, em tese, pelos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa. A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que outros crimes poderão ser identificados ao longo da análise das provas.
Até a publicação da reportagem, os investigados não haviam se manifestado sobre a operação.
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