Estadão publica editorial em crítica a Gilmar Mendes: ‘Juiz sem Juízo’
Em entrevista ao próprio jornal, o magistrado afirmou que o discurso de Bolsonaro na Avenida Paulista lhe pareceu uma confissão de culpa

Foto: Nelson Jr./SCO/STFO jornal O Estado de São Paulo criticou a postura do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ao fazer comentários antecipados sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
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Em uma entrevista concedida ao próprio jornal na última quarta-feira (28), o magistrado opinou que o discurso de Bolsonaro na Avenida Paulista durante a manifestação de 25 de fevereiro soou como uma admissão de culpa e que o ex-presidente passou de “possível autor intelectual” para “provável autor material”.
– As declarações de Gilmar Mendes não seriam um problema se ele não fosse o juiz da mais alta Corte do país, e sim um analista político. A ele, junto com seus colegas do STF, caberá julgar em breve os eventos, fatos, evidências e indivíduos que foram objeto da análise da entrevista. De qualquer forma, é inapropriado para um ministro do STF antecipar julgamento fora dos autos e comentar publicamente sobre um assunto em análise, presente ou futura, da Corte. Isso vai contra o que estabelece a Constituição, a Lei Orgânica da Magistratura e o bom senso – criticou o jornal.
No editorial intitulado Juiz Sem Juízo, o jornal observa também que Mendes não é o único ministro do Supremo a se envolver regularmente em “intervenção pública e política”, mostrando comportamentos inadequados para o cargo que ocupam. Na visão do jornal, a “discrição judicial parece ter se tornado rara no Brasil”.
– Essa desenvoltura pode ser atribuída ao contexto da democracia brasileira nos últimos anos e à lacuna deixada pelos outros Poderes. Além disso, é preciso mencionar dois fatores adicionais: o individualismo em vez da institucionalidade da Corte e, sim, a vaidade. Juntos, esses motivos explicam por que ministros emitem opiniões a jornalistas, participam de eventos patrocinados pelo setor privado, concedem entrevistas recomendando e cobrando decisões do Executivo e do Legislativo, e desempenham, com orgulho, expectativas messiânicas como protagonistas de uma democracia em declínio – acrescentou.
Por último, o jornal destaca que, embora o STF tenha realizado “um notável trabalho em defesa da democracia”, isso não é uma justificativa para que os ministros emitam opiniões fora de lugar. O texto conclui convidando os magistrados do Supremo a repensarem suas atitudes e a despolitizarem a Corte: “É hora de proteger a instituição”.
Redação AM POST
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