Filho de Arthur Lira faturou milhões no últimos anos intermediando contratos de publicidade com o governo federal
Nos últimos dois anos, empresas representadas por Arthur Filho faturaram exorbitantes R$ 34,8 milhões dos cofres públicos.
- Foto: reprodução
Nos últimos dois anos, empresas representadas por Arthur Lira Filho, filho do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e Maria Luiza Cavalcante, filha de Luciano Cavalcante, braço direito do parlamentar, faturaram exorbitantes R$ 34,8 milhões dos cofres públicos. Esses jovens empreendedores abriram a empresa Omnia360º em Brasília, com o objetivo de intermediar contratos de publicidade firmados com o governo federal durante a gestão de Jair Bolsonaro. A informação foi revelada pelo colunista Rodrigo Rangel, do site Metrópoles.
Mesmo sem experiência prévia d seus donos no mercado, a Omnia360º obteve um sucesso estrondoso. Desde sua criação, em 2021, ano em que Arthur Lira assumiu a presidência da Câmara, até 2022, último ano do mandato de Bolsonaro, as empresas representadas pela firma de Arthur Filho e Malu Cavalcante obtiveram faturamentos expressivos em contratos para veiculação de propaganda do governo federal.
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A Omnia360º atua como uma corretora de publicidade, sendo responsável por atrair verbas para veículos de comunicação interessados em exibir propaganda governamental. Embora não receba diretamente do governo, a empresa ganha uma porcentagem dos valores destinados às agências contratadas para realizar a publicidade oficial. Essa comissão, em geral, gira em torno de 20%.
Curiosamente a empresa que trabalha com marketing possui apenas míseros 571 seguidores.
Principais clientes
A Omnia360º representa várias empresas de veiculação de propaganda. Entre elas, destacam-se a Gestão Publicidade, especializada em espaços externos, a RZK Digital, voltada para propagandas em ambiente digital, e a OPL, responsável por distribuir publicidade na internet.
Um exemplo curioso é o caso da Gestão Publicidade. Essa empresa, que administra espaços publicitários em áreas carentes, recebeu do governo federal R$ 468 mil em 2020. Porém, no ano seguinte, após a parceria com a Omnia360º em Brasília, esse valor quintuplicou, chegando a R$ 2,6 milhões. Em 2022, continuou alto em comparação ao período anterior à aliança com a firma dos filhos de Arthur Lira e Luciano Cavalcante.
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A RZK Digital, por sua vez, foi criada praticamente ao mesmo tempo que a Omnia360º, em 2021. Naquele ano, faturou R$ 1,7 milhão em verbas federais de propaganda. No ano seguinte, obteve um salto impressionante, chegando a R$ 9,5 milhões. Já a OPL, após a parceria com a Omnia360º, viu seu faturamento saltar de pouco mais de R$ 1 milhão em 2020 para R$ 10 milhões em 2021 e R$ 8,2 milhões em 2022. Isso significa que, com a abertura da Omnia, a OPL garantiu um total de R$ 18,2 milhões em verbas federais destinadas à publicidade.
O filho do presidente da Câmara, por exemplo, tinha por hábito representar a empresa em reuniões com altos funcionários de ministérios e estatais. Entre os órgãos nos quais a Omnia360º conseguiu emplacar seus veículos parceiros estão o próprio Ministério da Saúde, como mostrou nesta sexta-feira o jornal Folha de S.Paulo e o Ministério da Cidadania. A lista inclui ainda empresas públicas como a Caixa Econômica Federal. A existência da sociedade entre o filho de Arthur Lira e a filha de Luciano Cavalcante foi revelada em julho de 2021 pelo site Congresso em Foco. Até agora não se sabia, porém, da extensão nem dos valores dos contratos intermediados por ela.
Considerando apenas os valores recebidos pela OPL, pela RZK e pela Gestão, a empresa que tem Arthurzinho Lira como sócio recebeu a título de comissão algo próximo a R$ 7 milhões, a julgar pelo percentual adotado no mercado para remunerar serviços de intermediação como o da Omnia.
Escândalo e suspeitas de favorecimento político
Esse faturamento milionário das empresas representadas por filhos de políticos levanta sérias questões sobre ética e transparência. A falta de experiência prévia desses jovens empreendedores no mercado publicitário levanta suspeitas de favorecimento político e tráfico de influência.
Diante desse cenário, é necessário investigar a relação entre os contratos intermediados pela Omnia360º e o governo federal. Essa investigação deve incluir uma análise minuciosa dos critérios de seleção das agências de publicidade, bem como a avaliação da efetividade dessas propagandas e o retorno sobre o investimento.
Redação AM POST*
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