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Flávio Dino diz que ordenou secretários a ‘comandar pessoalmente’ PM do DF no 8/1

O ministro da Justiça recordou as ações realizadas para conter o ataque aos Três Poderes através de uma publicação no X, neste domingo (07).

07/01/2024 às 16:30

Foto: Reprodução

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou neste domingo, 7, que orientou seus secretários a “comandar pessoalmente” a Polícia Militar do Distrito Federal no enfrentamento ao ataque aos Três Poderes em 8 de janeiro. Em uma postagem no X, antigo Twitter, Dino recordou as ações do ministério para lidar com o ataque e explicou a intervenção no comando da força policial.

Os secretários de Dino, Ricardo Cappelli e Diego Galdino, assumiram o comando da PMDF no final da tarde, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarar intervenção federal para conter os atos golpistas. O ataque às sedes dos Três Poderes já tinha progredido, e a atuação da PMDF antes da mudança de comando permanece até hoje sob suspeita.

No dia das invasões, o Estadão revelou que policiais abandonaram a barreira e tomavam água de coco em frente à Catedral Metropolitana de Brasília enquanto os golpistas invadiam o Supremo Tribunal Federal (STF). Membros da cúpula da Polícia Militar foram presos em agosto, acusados de ‘omissão no cumprimento do dever’, e o governador Ibaneis Rocha (MDB) foi afastado do cargo pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por ter, de acordo com a decisão, se omitido na proteção da Praça dos Três Poderes. Ibaneis retornou ao cargo em março.

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Recentemente, o presidente Lula acusou o governador, em entrevista publicada pelo jornal O Globo nesta sexta, 5, de manter um “pacto” com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a Polícia do Exército e parte da força de segurança do DF, para permitir os ataques de 8 de janeiro. Em resposta ao Estadão, o governador classificou as acusações do presidente como “vazias” e “sem qualquer fundamento nos fatos”. Durante seu afastamento em janeiro, Ibaneis prestou depoimento à Polícia Federal e negou ter sido omisso, mas admitiu desconhecimento sobre possíveis ações radicais.

“Havia na verdade um pacto entre o ex-presidente da República (Jair Bolsonaro), o governador de Brasília (Ibaneis Rocha) e a polícia, tanto a do Exército quanto a do DF”, afirmou Lula na entrevista de sexta-feira.

Não é a primeira vez que Lula questiona a conduta do policiamento local durante os atos golpistas. Ao Estadão, em janeiro do ano passado, o presidente se queixou de uma suposta “conivência” das forças de segurança no ataque em 8 de Janeiro. “Teve muita gente da PM conivente, muita gente das Forças Armadas aqui dentro conivente. Eu estou convencido de que a porta do Palácio do Planalto foi aberta para essa gente entrar porque não tem porta quebrada. Ou seja, alguém facilitou a entrada deles aqui”, disse Lula na ocasião.

Sob suspeita, Ibaneis passou dois meses afastado

As suspeitas de que Ibaneis Rocha teria sido omisso no comando da polícia local surgiram de imediato. No mesmo dia dos atos golpistas, o governador foi afastado do cargo. No despacho, Moraes considerou que o emedebista adotou uma “conduta dolosamente omissiva” diante dos ataques aos prédios públicos.

Afastado, o celular do governador foi entregue à Polícia Federal (PF) para perícia. O relatório da PF indica que Ibaneis recebeu às 14h23 do dia 8 de janeiro, uma mensagem de áudio de Fernando de Souza Oliveira, o nº 2 da secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. No áudio, o então secretário-executivo dizia ao governador que, ao meio-dia, “não havia nenhum informe de questão de agressividade” e que “tudo estava de forma ordeira e pacífica”. Minutos antes, os golpistas haviam acabado de invadir os prédios públicos. Ibaneis voltou ao cargo de governador no dia 15 de março.

O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro, divulgado em novembro, alega que o governador tinha “pleno conhecimento do risco de atos violentos” no dia dos ataques. Sem apontar dolo, o relatório da senadora Eliziane Gama (PSD-MA) afirma que o governador agiu com “extrema negligência”.

Ibaneis se recusou a participar do ato em memória de um ano dos ataques, que será realizado no Congresso nesta segunda, 8. O governo do DF será representado pela vice Celina Leão (PP), a mandatária interina durante o período de afastamento de Rocha.

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PMs tomavam água de coco durante a invasão

No dia das invasões, o Estadão mostrou que, enquanto golpistas invadiam o Congresso Nacional, policiais militares do DF tomavam água de coco em frente à Catedral Metropolitana de Brasília. Questionado à época, o secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Torres, disse ter determinado que “todo o efetivo da PM atuasse, firmemente, para restabelecer a ordem com a máxima urgência”.

Torres, no entanto, sequer estava no País. O secretário havia viajado na sexta-feira, 6 de janeiro, para Orlando, nos Estados Unidos, mesmo tendo sido alertado sobre a possibilidade de tumulto na capital. Anderson Torres passou quatro meses detido pela suspeita de omissão.

A coronel Cíntia Queiroz, uma das pessoas responsáveis por elaborar planos de contenção para o protesto, afirmou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Legislativa do DF que a imprensa havia divulgado a imagem “fora do contexto”. “Foi divulgada uma imagem de três policiais no dia 8 de dezembro (sic) tomando água de coco, como se aquilo tivesse acontecido às 15 horas da tarde, no horário da invasão, mas isso aconteceu às 8 horas da manhã”.

Ao contrário do alegado, a foto foi tirada pela reportagem do Estadão às 15h50, conforme registrado nos metadados dos dispositivo usado para fazer o registro.

Suspeitas na cúpula da PMDF

Em agosto de 2023, no bojo de um inquérito relatado por Alexandre de Moraes para investigar eventuais omissões de autoridades durante os atos golpistas, sete integrantes da cúpula da Polícia Militar do DF foram presos pela Operação Incúria, da Polícia Federal.

Nas denúncias encaminhadas ao STF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) alegou que “havia profunda contaminação ideológica de parte dos oficiais da Polícia Militar do DF”. Alguns oficiais, segundo a acusação, eram adeptos de “teorias conspiratórias sobre fraudes eleitorais e de teorias golpistas”

O julgamento dos sete denunciados já tem data para ocorrer. A Primeira Turma do STF irá pautar o caso em plenário virtual entre os dias 9 e 20 fevereiro. Eles são acusados pelos crimes de omissão; abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de estado; dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância inflamável, contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima; deterioração de patrimônio tombado; e violação de deveres funcionais.

Estadão Conteúdo

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