Governo usa a desculpa de “ações para a sustentabilidade” para entregar a gestão de terras indígenas a uma empresa privada
Críticas aumentam à administração de Silvia Guajajara e à entrega de territórios.
- (Foto: Divulgação)
O recente movimento do governo brasileiro em transferir a gestão de terras indígenas para a multinacional Ambipar, sem consulta pública ou licitação, gerou polêmica. Sob a justificativa de promover “ações para a sustentabilidade”, a administração de Silvia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, enfrenta críticas por sua falta de apoio às comunidades.
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A parceria, firmada através de um protocolo de intenções, abrange 1,4 milhão de quilômetros quadrados, representando aproximadamente 14% do território brasileiro. Executivos da Ambipar celebraram a associação, ressaltando vantagens em projetos ambientais e de gestão, embora os detalhes do acordo ainda sejam desconhecidos. A empresa, que atua no setor ESG, teve suas ações quadruplicadas em um mês, mas também enfrentou quedas significativas em seu valor de mercado.
O governo classifica as críticas como “fake news”, reiterando que o protocolo não implica transferência de verbas ou responsabilidades públicas. O Ministério defende que a parceria busca fortalecer a gestão territorial indígena e está alinhada à Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), que reconhece os direitos dos povos indígenas e inclui diretrizes como a consulta prévia.
Entretanto, muitos indígenas questionam a verdadeira intenção por trás da entrega das terras, argumentando que a agricultura não deve ser imposta como solução para a pobreza e a fome. A autonomia e os direitos territoriais desses povos estão em risco, e a falta de diálogo efetivo agrava a situação.
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