INSS suspende Vale+ após denúncia de cobrança não autorizada por empresa ligada aos irmãos Batista
Denúncias de irregularidades em cobranças e descumprimento de regras expõem mais um capítulo controverso envolvendo o grupo J&F.
- Negociação que favorece empresa dos irmãos Batista vira alvo do TCU-Foto: reprodução
Notícias do Brasil – O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspendeu, de forma cautelar, na última quarta-feira (7), o serviço de adiantamento de parcelas de benefícios previdenciários que vinha sendo operado pelo banco digital PicPay dentro do programa INSS Vale+. A decisão, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, é um duro golpe contra o aplicativo financeiro ligado à J&F, holding controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista — empresários com um histórico de envolvimento em escândalos bilionários.
O produto era oferecido pelo programa Meu INSS Vale+, do governo federal. Os beneficiários do INSS poderiam receber até R$450, antes da data de pagamento estipulada. Era uma espécie de empréstimo, mas que, segundo o próprio banco, não cobraria juros nem taxas dos clientes. Na prática, segundo o INSS, não foi isso que aconteceu.
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Segundo o presidente do INSS, Gilberto Waller Junior, a medida foi adotada diante de “farta documentação”, incluindo denúncias formais feitas por beneficiários, que indicam o descumprimento das normas do programa por parte do PicPay. Entre as principais acusações estão a cobrança de taxas não autorizadas pelas regras do INSS, o que, segundo Waller, pode ter causado prejuízos significativos e irreparáveis a aposentados e pensionistas — justamente o público mais vulnerável da sociedade.
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A suspensão impõe uma série de restrições ao banco, entre elas a proibição de novos repasses administrativos até que a empresa comprove o cumprimento integral das exigências legais. O PicPay também foi notificado oficialmente e deverá apresentar documentos que justifiquem suas ações no programa.
A decisão do INSS atende a um alerta feito pelo representante das instituições financeiras no Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), Ivo Mósca. Em reunião realizada na semana passada, Mósca cobrou uma resposta urgente do governo federal diante das denúncias, que vinham se avolumando nos últimos meses. Para ele, a atuação do PicPay feria a confiança da população no sistema previdenciário.
O próprio governo suspendeu o programa. Sem manchete, sem alarde, sem CPI. Porque será que abafaram tão rápido?
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Suspeitas que ecoam o passado
O escândalo atual reacende memórias incômodas sobre os irmãos Batista, figuras centrais no comando da J&F — conglomerado que, além do PicPay, também controla a gigante do setor alimentício JBS. A empresa se notabilizou tanto por seu crescimento agressivo quanto por sua longa lista de controvérsias.
Em 2017, Joesley e Wesley Batista foram presos sob acusação de usar informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro a partir do impacto de sua própria delação premiada. Na época, as revelações derrubaram políticos poderosos e abalaram o cenário institucional brasileiro. Embora tenham firmado acordos com a Justiça, os irmãos voltaram a ser alvo de denúncias do Ministério Público Federal (MPF) em 2020. As acusações incluem corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A reincidência do nome Batista em novos episódios de suspeita levanta dúvidas sobre a efetividade dos mecanismos de controle das empresas associadas à J&F.
Agora eles voltaram com um disfarce: distribuir crédito usando verba pública.
Resposta
O banco Picpay afirmou em nota à imprensa, que o produto de antecipação do benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ofertado pela empresa está “integralmente aderente à regulamentação vigente e não faz qualquer cobrança indevida”.
“A suspensão temporária do nosso produto foi motivada por denúncia fantasiosa, fruto do incômodo com uma oferta que combate o superendividamento, promove maior concorrência no setor, e é uma opção melhor do que empréstimos e operações de crédito, cheque especial ou rotativo do cartão de crédito”, reitera a nota.
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