Julgamento pela morte de Henry Borel entra no 8º dia e se torna o mais longo da história do Rio
Processo contra Monique Medeiros e Jairinho supera duração do júri de Flordelis e segue sem previsão de encerramento.

Renan Olaz/CMRJ
Resumo
O julgamento dos acusados pela morte do menino Henry Borel chegou ao oitavo dia consecutivo e já é considerado o mais longo da história do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. A extensão do processo tem sido marcada por longos depoimentos, debates entre acusação e defesa e análises detalhadas das provas apresentadas no caso.
Notícias do Brasil – O julgamento de Monique Medeiros e do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, acusados pela morte de Henry Borel, de 4 anos, alcançou nesta segunda-feira (1º) seu oitavo dia e entrou para a história do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro como o mais longo já realizado no estado. O processo ultrapassou a duração do julgamento da ex-deputada federal Flordelis, condenada pelo assassinato do pastor Anderson do Carmo.
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Longos depoimentos marcaram o julgamento
A duração recorde do júri é atribuída ao grande número de testemunhas ouvidas e aos extensos questionamentos realizados por acusação e defesa.
Entre os depoimentos mais demorados está o de Bryan Medeiros, irmão de Monique, que permaneceu cerca de dez horas prestando esclarecimentos aos jurados.
Na manhã desta segunda-feira, familiares e amigos de Leniel Borel, pai de Henry, realizaram uma carreata até o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro pedindo justiça pela morte da criança.
Réus adotam estratégias diferentes
No banco dos réus estão Monique Medeiros, mãe de Henry, e Jairinho, ex-vereador e então companheiro dela à época dos fatos.
Embora tenham mantido inicialmente uma estratégia conjunta de defesa, os dois passaram a adotar versões distintas ao longo do processo.
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Monique passou a responsabilizar Jairinho pela morte do filho e afirmou ter sido influenciada a mentir durante as primeiras etapas da investigação. Já a defesa do ex-vereador sustenta a inocência dele e busca contestar as provas técnicas apresentadas pela acusação.
Defesa questiona laudos periciais
Os advogados de Jairinho concentram esforços em questionar os laudos periciais produzidos durante a investigação.
A tese apresentada é de que os ferimentos que levaram à morte de Henry poderiam ter sido provocados por um acidente doméstico ou por procedimentos de reanimação realizados durante o atendimento médico.
A defesa também tenta enfraquecer os relatos de Monique, negando que ela tenha sido vítima de violência física ou psicológica por parte do ex-companheiro.
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Monique alega relacionamento abusivo
Por outro lado, a defesa de Monique sustenta que ela vivia em um relacionamento marcado por violência e manipulação.
Segundo seus advogados, a acusada teria sido influenciada por Jairinho a ocultar informações e apresentar versões falsas às autoridades durante as investigações.
A estratégia busca demonstrar que ela não tinha plena consciência da gravidade dos acontecimentos que resultaram na morte do filho.
Perícias apontam agressão
Um dos principais pontos do processo é a análise dos laudos periciais.
Ao todo, sete perícias concluíram que Henry morreu em decorrência de uma hemorragia interna provocada por lesões graves no fígado, compatíveis com ação contundente.
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Os especialistas descartam a hipótese de acidente doméstico e afirmam que os ferimentos exigiram a aplicação de força intensa. Segundo os laudos, a criança permaneceu viva por aproximadamente quatro horas após sofrer a lesão considerada fatal.
Testemunhos reforçam acusação
Entre os depoimentos mais relevantes do julgamento está o da babá de Henry, Thayná Ferreira.
Ela relatou ter presenciado situações em que Jairinho permaneceu sozinho com a criança e afirmou que, em uma dessas ocasiões, Henry saiu de um quarto reclamando de dores e apresentando dificuldades para caminhar.
Também foram ouvidas ex-companheiras do ex-vereador, que relataram episódios de agressão, além de testemunhas que afirmaram ter sofrido violência quando conviveram com ele.
Julgamento entra na reta final
Ainda devem ser ouvidos o perito Leonardo Huber Tauil, o psiquiatra Hewdy Lobo Ribeiro e o médico Jeferson Evangelista Corrêa.
Após a conclusão dos depoimentos, o processo seguirá para os interrogatórios dos réus e, posteriormente, para as alegações finais da acusação e da defesa, etapa que antecede a decisão do Conselho de Sentença.
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