Kim Kataguiri diz que não votará mais em Bolsonaro nem em membros da família do ex-presidente: “não está preocupado com o País’
Deputado critica projeto hegemônico da família Bolsonaro e afirma que anularia seu voto novamente em 2026.
- Foto: reprodução
Notícias do Brasil – O deputado federal Kim Kataguiri (União) afirmou que não voltaria a apoiar Jair Bolsonaro (PL) e que não votaria em ninguém da família do ex-presidente.
“Anularia o voto de novo”, disse em entrevista à BBC News Brasil publicada nesta terça-feira, 28. “A família Bolsonaro é um projeto hegemônico de poder que só está preocupado com si próprio. Não está preocupada com o país”, declarou.
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Segundo o parlamentar, que surgiu na vida pública aos 19 anos como um dos principais nomes do Movimento Brasil Livre (MBL), Bolsonaro desperdiçou a oportunidade de “fazer um governo de fato de direita e coerente”.
“Ele perdeu essa oportunidade traindo os próprios valores, traindo o próprio eleitorado e traindo as próprias promessas de campanha”, afirmou, citando afrouxamento da Lei de Improbidade Administrativa e mudanças no comando da Polícia Federal.
Questionado sobre o processo contra o ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, Kataguiri opina que o julgamento teve “vícios processuais” e que a Corte “atropelou” o processo, além de criticar os cerca de 70 terabytes de provas disponibilizadas às defesas. Ele reconhece, no entanto, que o Brasil “esteve a um sim do comandante do Exército de ter um golpe de Estado”.
“Eu acho que ele (Bolsonaro) tentou de fato dar um golpe de Estado. E de uma maneira bastante rocambolesca, porque ele vai lá, imprime a minuta de golpe na impressora do Palácio do Planalto, pega ela sem saber a opinião dos comandantes das armas, submete aos três comandantes e só não leva em frente porque o comandante do Exército o ameaça prender se levasse o plano em frente”, disse.
O deputado é contra o ex-presidente permanecer em prisão domiciliar e acredita que seus problemas de saúde são “pontuais” “Deve ir para a cadeia, sim. Só se for inevitável que ele tenha um cuidado de saúde constante, o que não me parece ser o caso agora. Parece que ele tem problemas graves, mas pontuais, em que ele pode sair do presídio para ir ao hospital”, opinou.
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Kataguiri está no segundo mandato na Câmara dos Deputados e aguarda o registro oficial do Missão, partido do MBL, junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte marcou o julgamento para esta quinta-feira, 30.
Ele já chegou a dizer que o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) era o nome mais forte da direita para a Presidência em 2026. Agora, afirmou à BBC que o único nome que apoia é o de Renan Santos, coordenador nacional do MBL que o Missão pretende lançar à disputa pelo Planalto.
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“Infelizmente, a gente não conseguiu ter um partido antes, porque no Brasil todas as barreiras são feitas para não ter novos partidos, não ter novos concorrentes”, disse. O MBL junta assinaturas para fundar a legenda desde 2023.
Sobre deixar o União Brasil para fazer campanha em um partido iniciante, Kim afirmou que ela será “baseada em militância e propósito, como os partidos deveriam ser”.
“Para mim, seria muito mais confortável estar no União Brasil com o tempo de TV, com R$ 2,5 milhões para fazer campanha. Agora, não é um projeto que eu acredito e eu não estou na política para me perpetuar no poder. Eu estou para cumprir uma missão”, afirmou.

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