Lewandowski, antes de deixar o governo, acionou a PF para investigar Flávio Bolsonaro por vincular Lula a Maduro
Críticos apontam uso político de instituições e risco à liberdade de expressão.
- Foto: reprodução
Resumo
O então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski enviou à Polícia Federal pedido para investigar o senador Flávio Bolsonaro por associar Lula a Nicolás Maduro em postagens — uma ação baseada em pedido da deputada Dandara Tonantzin (PT-MG). Caso levanta questionamentos sobre liberdade de expressão e uso de órgãos de Estado em disputas políticas.
Notícias do Brasil – O Ministério da Justiça e Segurança Pública encaminhou à Polícia Federal (PF) um pedido formal para que seja investigado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por publicações que vinculam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ditador venezuelano Nicolás Maduro, recentemente capturado pelos Estados Unidos.
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A medida foi uma das últimas assinaturas de Ricardo Lewandowski à frente da pasta, cujo desligamento foi oficializado no início desta semana.
O encaminhamento não significa, automaticamente, abertura de inquérito policial. A PF pode decidir por instaurar investigação formal, arquivar a representação por falta de indícios ou reconhecer ser outra instância a competente para o caso.
Representação de deputada do PT contra o senador
A solicitação teve origem em representação da deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG), que acusa Flávio Bolsonaro de suposta prática de crimes contra a honra do presidente da República. De acordo com o pedido, o senador — que é pré-candidato à Presidência nas eleições de 2026 — teria extrapolado os limites da imunidade parlamentar ao associar Lula a Maduro e ao Foro de São Paulo em postagens nas redes sociais.
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Segundo a deputada, as publicações poderiam configurar calúnia, difamação e injúria, já que “associar, sem provas, o presidente a crimes graves pode comprometer a democracia”. Ela solicita preservação de provas digitais e apuração detalhada dos fatos pelas autoridades competentes.
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Conteúdo das postagens e o contexto político
Nas publicações em questão, Flávio Bolsonaro afirmou que a prisão de Maduro poderia levá-lo a “delatar” Lula, o que resultaria no fim do chamado Foro de São Paulo — grupo que reúne partidos de esquerda da América Latina.
Ele também fez referências a possíveis envolvimentos em crimes internacionais como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Críticos do caso avaliam que a interpretação dessas falas como crime pode abrir precedentes perigosos. A liberdade de expressão nas redes sociais, especialmente em ambiente político e eleitoral, já é terreno delicado; transformar postagens em objeto de investigação policial pode tensionar ainda mais esse equilíbrio. A deputada, por outro lado, defende que a democracia exige responsabilidade no debate público.
Lewandowski e o uso institucional do último ato
O envio do pedido à PF, assinado por Eliza Pimentel da Costa Simões em nome de Lewandowski, ocorre no momento de transição na chefia do MJ. Para alguns analistas, essa decisão levanta questionamentos sobre o uso de órgãos públicos para atuar em disputas políticas, sobretudo às vésperas de um ciclo eleitoral.
É legítimo que suspeitas de crime sejam apuradas — mas também é legítimo questionar se a instauração de procedimentos policiais em torno de postagens políticas não pode ser instrumentalizada para favorecer ou prejudicar narrativas no tabuleiro eleitoral.
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