Lula critica captura de Maduro: “fico toda noite indignado com o que aconteceu na Venezuela”
A declaração foi feita durante o discurso de encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
- Foto: Agência Brasil
Resumo rápido
Durante evento do MST em Salvador, o presidente Lula voltou a criticar duramente a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, classificando o episódio como uma violação grave da soberania do país e alertando para os riscos à paz na América do Sul.
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Notícias do Brasil – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reiterou nesta sexta-feira (23), em Salvador, sua indignação com a operação militar dos Estados Unidos em território venezuelano que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita durante o discurso de encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
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Críticas diretas à operação militar
Em tom firme, Lula afirmou que o episódio ainda o revolta diariamente e questionou a forma como a ação foi conduzida.
“Eu sinceramente fico toda noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Eu não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no mar do Caribe, sabia das ameaças constantes. Mesmo assim, os caras entraram à noite, foram a um forte, um quartel onde ele morava, e levaram o Maduro embora. E ninguém soube”, declarou o presidente.
Defesa da soberania venezuelana
Lula também criticou o que classificou como desrespeito à integridade territorial de um país soberano, ressaltando que esse tipo de intervenção não condiz com a história recente da América do Sul.
“Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Isso não existe na América do Sul. A América do Sul é um território de paz. A gente não tem armas nucleares, não tem bomba atômica”, afirmou.
Captura de Maduro e acusações
Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, foram capturados no dia 3 de janeiro por forças norte-americanas e levados para Nova York, onde respondem a processos judiciais. Segundo autoridades dos EUA, o líder venezuelano teria chefiado por mais de duas décadas uma organização criminosa ligada ao narcotráfico internacional.
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As acusações incluem narcoterrorismo, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, com penas que podem chegar à prisão perpétua. Maduro nega todas as acusações e afirma ser vítima de perseguição política.
Posição histórica do Brasil
Não é a primeira vez que Lula se manifesta em defesa da Venezuela. No dia da operação militar, o presidente brasileiro afirmou que os bombardeios e a captura de Maduro ultrapassaram “uma linha inaceitável” e criaram um precedente perigoso no cenário internacional.
Segundo Lula, ações desse tipo enfraquecem o multilateralismo e podem gerar instabilidade regional.
“A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre adotou. Essa ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e ameaça a preservação da região como zona de paz”, concluiu.
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