Lula expulsa embaixadora da Nicarágua do Brasil em resposta à ação de Daniel Ortega
A expulsão do embaixador brasileiro da Nicarágua selou o rompimento da relação entre opetista e o ditador Daniel Ortega.
- Foto: reprodução
Em um movimento que intensifica as tensões diplomáticas entre Brasil e Nicarágua, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu expulsar a embaixadora nicaraguense no Brasil, Fulvia Patrícia Castro Matus. A decisão foi tomada em retaliação à expulsão do embaixador brasileiro, Breno de Souza Brasil Dias da Costa, do país centro-americano, ordenada pelo governo de Daniel Ortega. A ação selou o rompimento da relação entre o petista e o ditador.
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O Itamaraty, responsável pela condução da política externa brasileira, informou que Breno da Costa deixará a Nicarágua ainda nesta quinta-feira (8). Em paralelo, a embaixada da Nicarágua em Brasília confirmou que Fulvia Matus já deixou o Brasil, embarcando de volta ao seu país nas primeiras horas da madrugada.
A origem imediata desse embate diplomático remonta à ausência de Breno da Costa nas comemorações dos 45 anos da Revolução Sandinista, evento de grande importância simbólica para o governo nicaraguense. Segundo fontes da imprensa local, a ausência do embaixador brasileiro no evento foi vista como um desrespeito e gerou insatisfação na presidência do país, culminando na sua expulsão.
Contudo, a ausência de Breno da Costa não foi um simples descuido ou falha protocolar. Segundo esclarecimentos do Itamaraty, o embaixador brasileiro não compareceu ao evento em razão do congelamento das relações diplomáticas entre Brasil e Nicarágua, decidido pelo governo Lula em 2023. A medida de congelamento foi uma resposta direta às crescentes violações de direitos humanos na Nicarágua, com destaque para a prisão de padres e bispos católicos, que se opõem ao regime de Ortega.
Aliados desde 2007, Lula e Ortega se afastaram no fim do ano passado após o presidente brasileiro interceder contra a perseguição à Igreja Católica da Nicarágua. O petista recebeu apelos do Vaticano para tentar mediar o diálogo com Ortega, que recebeu mal os gestos de Lula.
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Desde que assumiu seu quarto mandato consecutivo em 2021, em eleições amplamente questionadas pela comunidade internacional, Daniel Ortega tem sido alvo de duras críticas por sua crescente repressão contra a oposição e por práticas de nepotismo. Ex-guerrilheiro e líder da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), Ortega chegou ao poder pela primeira vez nos anos 1980, após a Revolução Sandinista que derrubou o ditador Anastasio Somoza em 1979. Após um período fora do poder, ele voltou à presidência em 2007 e, desde então, tem consolidado seu controle sobre o país, o que tem gerado acusações de que ele se tornou o novo ditador da Nicarágua.
A decisão do governo Lula de congelar as relações diplomáticas e agora de expulsar a embaixadora nicaraguense reflete uma mudança significativa na postura do Brasil em relação a Ortega. Durante seus mandatos anteriores, Lula manteve relações amistosas com Ortega, porém, o agravamento das violações de direitos humanos no país centro-americano parece ter levado a uma reavaliação dessa política.
Já o PT, que em 2021 saudou a reeleição cercada de suspeitas de fraude de Noriega, se mantém em silêncio.
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