“Mais uma bordoada no STF”, diz Eduardo Bolsonaro após os EUA classificarem sua condenação como perseguição
Departamento de Estado norte-americano questiona sentença imposta ao ex-deputado; Supremo aponta tentativa de interferência em julgamento sobre trama golpista
- Foto: reprodução
Resumo
O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro afirmou que o governo dos Estados Unidos classificou sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como um caso de perseguição política. A declaração foi feita após uma manifestação do Departamento de Estado americano sobre a decisão da Corte brasileira, ampliando a repercussão internacional do caso.
Notícias do Brasil – Em publicação nas redes sociais, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (19) que o posicionamento do Departamento de Estado dos Estados Unidos contra sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) representa mais uma crítica externa à atuação da Corte e ao ministro Alexandre de Moraes.
“Censuraram vários, inclusive pessoas nos EUA, emitiram mandados de prisão, cancelaram passaportes e a lista de maldades vai até a prisão de senhorinhas. Vocês acham mesmo que a maior democracia do mundo, os EUA, não estariam atentos a esse tipo de conduta totalmente ideológica. Essa ai é mais uma bordoada no STF brasileiro e no Alexandre de Moraes. Depois de Espanha, Itália, Argentina agora esse caso nos EUA. Pode ter certeza nós venceremos“, disse.
A declaração ocorre poucos dias após a Primeira Turma do STF condenar, por unanimidade, o parlamentar a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto. Os ministros entenderam que houve tentativa de interferência e pressão sobre integrantes da Corte em meio às investigações relacionadas aos atos antidemocráticos e ao julgamento envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
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O que disseram os Estados Unidos?
Em declaração oficial, um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano criticou a decisão judicial brasileira e afirmou que disputas políticas devem ser resolvidas por meio do voto popular.
A manifestação representa uma das críticas mais contundentes do governo dos Estados Unidos a uma decisão recente do Judiciário brasileiro, aumentando a tensão diplomática em torno do caso.
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Declaração de Donald Trump repercute caso
Durante participação em um evento internacional na França, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também comentou o assunto ao ser questionado sobre o cenário político brasileiro.
Na ocasião, Trump mencionou a prisão de um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, embora sua declaração tenha gerado dúvidas sobre qual dos filhos estava sendo citado. O presidente norte-americano afirmou ter recebido informações sobre o caso após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Qual foi o entendimento do STF?
O relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, concluiu que havia elementos suficientes para comprovar a prática do crime de coação no curso do processo.
Segundo a decisão, Eduardo Bolsonaro teria utilizado sua influência política para buscar constrangimento institucional contra integrantes da Suprema Corte, com o objetivo de favorecer interesses ligados à defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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A Procuradoria argumentou ainda que mensagens, entrevistas e publicações em redes sociais demonstrariam uma estratégia coordenada para pressionar autoridades responsáveis pelos julgamentos relacionados à tentativa de golpe de Estado.
Como ficou a defesa do ex-deputado?
A defesa de Eduardo Bolsonaro foi realizada pela Defensoria Pública da União (DPU), já que o ex-parlamentar não constituiu advogado particular no processo.
O defensor público Esdras dos Santos Carvalho pediu a absolvição do ex-deputado, alegando insuficiência de provas. Além disso, questionou aspectos processuais da ação, incluindo a participação do ministro Alexandre de Moraes no julgamento.
A defesa também sustentou que eventuais irregularidades processuais deveriam resultar na anulação da ação penal.
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Qual o impacto político da decisão?
A condenação reforça os desdobramentos judiciais relacionados às investigações sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições presidenciais. O caso também amplia o debate sobre os limites da atuação política internacional de agentes públicos brasileiros e sobre a relação entre o Judiciário nacional e governos estrangeiros.
Além dos efeitos jurídicos para Eduardo Bolsonaro, a decisão tem potencial para influenciar o cenário político nacional e repercutir nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
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