Marília Mendonça: para advogado do piloto, conclusão de inquérito sobre acidente é ‘injuriosa’
Segundo ele, o acidente teria sido causado por uma falta de sinalização na rede elétrica com a qual o avião colidiu.
O advogado da família do piloto Geraldo Martins de Medeiros Junior, Sérgio Alonso, expressou críticas à conclusão do inquérito da Polícia Civil de Minas Gerais que investigou a queda do avião que resultou na morte da cantora Marília Mendonça e outras quatro pessoas. A polícia havia atribuído o acidente a um erro dos pilotos, Geraldo e o copiloto Tarcísio Pessoa Viana, em um comunicado na quarta-feira, 4.
Alonso, que representa a filha do comandante do voo, refutou a conclusão, descrevendo-a como “injuriosa” e alegou que ela carece de fundamentação em “provas técnicas produzidas”. Segundo ele, o acidente teria sido causado por uma falta de sinalização na rede elétrica com a qual o avião colidiu, além da ausência de uma carta de aproximação visual.
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O advogado explicou que o aeroporto de Caratinga, Minas Gerais, onde ocorreu o acidente, está situado em um vale, e a rede elétrica não estava devidamente sinalizada e localizada na trajetória de aproximação. Ele também apontou que mudanças foram realizadas após o acidente, incluindo a sinalização da rede pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

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Sérgio Alonso mencionou outras alterações feitas pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), como uma carta de aproximação visual e um aumento na altura mínima de voo de 1.000 para 1.350 pés. Ele argumentou que, se todas essas medidas tivessem sido implementadas anteriormente, o acidente não teria ocorrido.
O advogado também criticou a atribuição de homicídio culposo à tripulação pela Polícia Civil, mesmo após o órgão ter solicitado o arquivamento do caso devido à morte de todos a bordo da aeronave. Para Alonso, os delegados não deveriam ter proferido essa sentença imediatamente após a conclusão do inquérito, sem dar oportunidade de defesa.
Até o momento, a Polícia Civil de Minas Gerais não respondeu aos questionamentos feitos pelo Estadão sobre as críticas do advogado à investigação.
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Conclusão do Inquérito Atribui Culpa aos Pilotos
Durante uma coletiva de imprensa transmitida na quarta-feira, a Polícia Civil de Minas Gerais responsabilizou os pilotos pelo acidente que resultou na queda da aeronave que levava Marília Mendonça e outras vítimas. De acordo com um dos delegados encarregados do caso, “a tripulação, por circunstâncias até então não justificáveis, atuou com negligência e imprudência.”
O laudo concluiu que a aeronave não apresentava problemas técnicos, e a polícia descartou a possibilidade de mal súbito dos tripulantes. A aeronave colidiu com uma torre de transmissão em Caratinga, interior de Minas Gerais, em 2021.
Segundo os delegados, a tripulação não seguiu os procedimentos de segurança na condução do avião e saiu da zona de proteção da rota. A polícia também descartou a hipótese de crime ambiental relacionado a um vazamento de combustível da aeronave.
Em maio, um relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), vinculado ao Comando da Aeronáutica, também havia descartado falha mecânica como uma das causas do acidente. O relatório apontou que a tripulação não seguiu os procedimentos adequados para o pouso e não respeitou os parâmetros de operação da aeronave.
A investigação do Cenipa contou com uma equipe multidisciplinar e excluiu a possibilidade de problemas técnicos na aeronave.

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