Mauro Cid contou em delação que Bolsonaro pretendia esconder alvos da PF no Alvorada, afirma site
A intenção era impedir que Oswaldo Eustáquio e Bismark Fugazza fossem presos.

Foto: Alan Santos/PR
O tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, disse em depoimento que faz parte do acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal (PF), que o ex-presidente tentou abrigar na residência oficial, o Palácio do Alvorada, dois blogueiros que foram alvos de mandados de prisão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Conforme Cid, a intenção era impedir que Oswaldo Eustáquio e Bismark Fugazza fossem presos. A informação é do colunista Aguirre Talento, do UOL.
PUBLICIDADE
Fugazza é um dos proprietários do canal de comédia de direita Hipócritas e foi preso no Paraguai em março junto com o cantor gospel Salomão Vieira. Em junho, o comediante foi solto.
Eustáquio já havia sido preso em 2020 por envolvimento com atos antidemocráticos e, no final do ano passado, teve uma nova ordem de prisão decretada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Ele fugiu para o Paraguai e a polícia do país vizinho está em busca de prendê-lo. A última tentativa aconteceu no dia 16 de setembro. O próprio blogueiro compartilhou o episódio nas redes sociais e solicitou doações via Pix aos seus correligionários.
Segundo o UOL, Cid afirmou que Bolsonaro teria considerado abrigar os dois blogueiros dentro da Alvorada para evitar que fossem presos, mas foi convencido do contrário pelo ex-ajudante de ordens. No dia 13 de dezembro, Eustáquio e Fugazza foram à residência oficial em busca de ajuda, mas saíram na mesma noite.
Apoiadores do ex-presidente registraram a entrada dos dois em vídeo e comemoraram o episódio. A PF investiga se eles instigaram, ajudaram e financiaram atos antidemocráticos em 2022.
PUBLICIDADE
Mauro Cid foi preso pela Polícia Federal em 3 de maio, durante as diligências da Operação Venire, que buscava provas de uma fraude nos registros de vacinação de Bolsonaro e sua filha mais nova, Laura. Após isso, o ex-ajudante de ordens foi envolvido em outra investigação contra o ex-presidente, o caso das joias sauditas.
A PF suspeita que Bolsonaro coordenava e se beneficiava de um esquema internacional de venda de presentes de alto valor que ganhou em agendas oficiais. Entre eles, está um Rolex cravejado de diamantes que foi recomprado pelo advogado Frederick Wassef.
Um dos presentes vendidos é uma estatueta de coqueiro, que teria sido negociada por Mauro Cid e seu pai, o general Mauro Cesar Lourena Cid. O reflexo do general aparece nas fotos que ele tirou da caixa do objeto para enviar ao filho.
Os termos totais da delação de Mauro Cid permanecem em segredo de Justiça, mas alguns pontos já foram revelados. O acordo o colocou em liberdade, mas ele cumpre restrições, como usar tornozeleira eletrônica, não poder ter redes sociais e ter que se recolher em casa.
O ex-ajudante de ordens teria dito que Bolsonaro é o mandante da fraude nos cartões de vacinação e que o ex-presidente recebeu, em mãos, dinheiro vivo oriundo da venda das joias. Até o momento, Bolsonaro é investigado. Não há ação penal contra ele por causa de nenhum desses episódios. Os advogados do ex-presidente tentaram ter acesso ao acordo de colaboração, mas não tiveram êxito.
Estadão Conteúdo

Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos





