Mendonça vota contra decisão de Moraes que suspendeu norma que dificulta aborto em gestação decorrente de estupro
Em seu voto, Mendonça disse não ver irregularidade na edição da norma que proíbe o uso da técnica.

Mendonça vota contra decisão de Moraes que suspendeu norma que dificulta aborto em gestação decorrente de estupro-Foto: Reuters/Adriano Machado
No plenário virtual do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça proferiu seu voto nesta sexta-feira (31) contra a suspensão de uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que restringe o procedimento de aborto em gestações decorrentes de estupro. A análise da decisão do relator, Alexandre de Moraes, teve início hoje e seguirá até 10 de junho.
PUBLICIDADE
A resolução em questão, suspendida provisoriamente por Moraes em 17 de maio, proibia o uso da técnica conhecida como assistolia fetal para interromper a gravidez acima de 22 semanas resultante de estupro. A assistolia fetal consiste no uso de medicamentos para interromper os batimentos cardíacos do feto antes da sua remoção do útero.
Mendonça argumentou que a norma do CFM trata de um procedimento de “natureza técnica” e que não vê irregularidades em sua edição. Para o ministro, a questão deve ser submetida estritamente à esfera regulamentar, sem intervenção do Judiciário.
O relator Alexandre de Moraes, por sua vez, votou para confirmar sua decisão anterior de suspender a resolução do CFM, mantendo também suspensos processos judiciais e procedimentos administrativos contra médicos por alegado descumprimento da norma. Ele considerou que houve “abuso de poder regulamentar” por parte do CFM, uma vez que o aborto em casos de estupro é permitido no Brasil e a resolução do Conselho se distancia dos padrões científicos internacionais.
A divergência entre os ministros reflete as controvérsias existentes na sociedade sobre o papel do Judiciário na regulamentação do aborto. Mendonça destacou que há intenso debate em diversos setores sobre a legitimidade das Supremas Cortes para decidir sobre a permissão do aborto, e considerou ainda mais problemático pretender estabelecer como o procedimento deve ser realizado quando autorizado.
Redação AM POST
Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos





