Ministro Alexandre de Moraes critica big techs e diz que elas “não são enviadas de Deus”
A afirmação foi feita durante uma aula magna na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
- Foto: reprodução
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, declarou nesta segunda-feira (24) que “as big techs não são enviadas de Deus”, enfatizando que essas empresas de tecnologia são grandes grupos econômicos com interesses políticos e financeiros globais. A afirmação foi feita durante uma aula magna na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
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A declaração ocorre em um momento de tensão entre Moraes e plataformas digitais internacionais. No fim de semana, a Rumble e a Trump Media, empresa ligada ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, acionaram a Justiça norte-americana acusando o ministro de violar a soberania do país.
Moraes diz que as bigtechs não são enviadas de Deus e não são neutras. É irônico ouvir isso de alguém que se julga acima de Deus e que é totalmente parcial. pic.twitter.com/45rk7QtQy8
— Carlos Jordy (@carlosjordy) February 24, 2025
Durante sua fala na USP, Alexandre de Moraes destacou que as redes sociais se tornaram instrumentos utilizados tanto para o bem quanto para o mal, sendo, segundo ele, um dos principais meios de ataques organizados contra a democracia.
“As big techs não são neutras. Elas são grupos econômicos que querem dominar a economia e a política mundial, ignorando fronteiras, a soberania nacional de cada país e as legislações para obterem poder e lucro”, afirmou Moraes.
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O ministro ressaltou ainda que as empresas de tecnologia tratam a democracia como um mero negócio. Segundo ele, as big techs veem a política como uma extensão de seus mercados, influenciando a eleição de candidatos e a aprovação de leis favoráveis a seus interesses.
“Democracia é um negócio, dizem as big techs, porque tudo para elas é dinheiro, é negócio. Democracia é um negócio [para as big techs]. Assim como vendemos carros, vamos vender candidatos. Só que é um negócio que, dando certo, gera um lucro muito maior, porque aí nós vamos aprovar as leis, aí nós vamos mandar no país”, afirmou o ministro.
A recente ação judicial movida pela Rumble e pela Trump Media contra Moraes nos Estados Unidos evidencia a escalada de um conflito com o ministro brasileiro. As companhias acusam o ministro de intervir indevidamente em questões que afetam serviços prestados fora do Brasil. O caso reforça a discussão sobre os limites do poder de regulação nacional sobre empresas com sede em outros países, mas que operam globalmente.
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