Ministro Alexandre Padilha diz que preparou SUS para receber venezuelanos afetados por ataques dos EUA
Em mensagem publicada nas redes sociais, Padilha declarou que o Brasil está pronto para acolher e atender quem precisar.
- Ministro Alexandre Padilha em entrevista coletiva — Foto: TV Globo/Reprodução
Notícias do Brasil – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, se manifestou após após os ataques militares promovidos pelos Estados Unidos na Venezuela e afirmou neste sábado (3) que o Sistema Único de Saúde (SUS) já foi preparado para responder às consequências do conflito, especialmente em regiões de fronteira.
Em mensagem publicada nas redes sociais, Padilha declarou que o Brasil está pronto para acolher e atender quem precisar de cuidados médicos em solo brasileiro. “Desde o início das operações militares no entorno do país vizinho, preparamos a Agência do SUS, a Força Nacional do SUS e nossas equipes de Saúde Indígena para reduzirmos, ao máximo, os impactos do conflito na saúde e no SUS brasileiro. Que venha a paz. Enquanto isso, cuidaremos de quem precisar ser cuidado”, escreveu o ministro.
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Padilha foi o primeiro integrante do primeiro escalão do governo Luiz Inácio Lula da Silva a se pronunciar publicamente sobre os ataques ordenados pelo presidente americano Donald Trump, que resultaram no anúncio da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. A fala do ministro da Saúde ocorre em meio a um esforço do Planalto para demonstrar preparo institucional diante de um cenário de instabilidade regional.
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Na manhã deste sábado (3), o governo federal convocou uma reunião de emergência no Itamaraty para discutir os desdobramentos da operação militar americana. Segundo interlocutores da diplomacia brasileira, a orientação inicial é reunir o máximo de informações confiáveis sobre o ataque antes de qualquer posicionamento oficial mais contundente. A cautela reflete o temor de agravamento da crise e de efeitos diretos sobre a região Norte do Brasil.
A preocupação com a área da saúde não é casual. A fronteira entre Brasil e Venezuela tem pouco mais de 2 mil quilômetros de extensão, passando principalmente pelos estados de Roraima e Amazonas. O principal ponto de entrada terrestre é o eixo Pacaraima–Santa Elena de Uairén, rota histórica do fluxo migratório venezuelano em direção ao Brasil.
Desde o início da crise política e econômica venezuelana, o impacto sobre o sistema público brasileiro tem sido significativo. De acordo com o Observatório da Diáspora Venezuelana, cerca de 9,1 milhões de pessoas deixaram a Venezuela desde 2013, ano em que Maduro foi eleito pela primeira vez, já sob denúncias de fraude eleitoral. Parte expressiva desse contingente buscou abrigo em países vizinhos, especialmente no Brasil.
Dados da Acnur, a Agência das Nações Unidas para Refugiados, apontam que a Venezuela é hoje o país com o maior número de refugiados e migrantes forçados do mundo, somando cerca de 6,3 milhões de pessoas — superando inclusive a Síria, símbolo de crises humanitárias prolongadas. Roraima, por sua localização geográfica, tornou-se a principal porta de entrada dessa população, pressionando serviços de saúde, assistência social e infraestrutura urbana.
É justamente essa experiência recente que levou o Ministério da Saúde a agir preventivamente. A Força Nacional do SUS, criada para atuar em emergências sanitárias, já foi mobilizada em outras ocasiões na região Norte, inclusive durante a pandemia de Covid-19 e em crises migratórias anteriores. A atuação envolve reforço de equipes médicas, logística de insumos, vacinação e atendimento a populações vulneráveis, como indígenas e crianças.
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