Ministro chinês critica “interferência externa injustificada” de Trump e defende soberania do Brasil
A fala de Wang Yi é uma referência indireta à recente ofensiva do governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump.
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Notícias do Brasil – O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, criticou nesta quarta-feira (6/8) o que classificou como “interferências externas injustificadas” nos assuntos internos do Brasil. A declaração foi feita durante conversa telefônica com Celso Amorim, chefe da assessoria especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais.
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A fala de Wang Yi é uma referência indireta à recente ofensiva do governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, que impôs um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros e sancionou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em meio ao processo que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“A China apoia o Brasil na defesa de sua soberania nacional e dignidade”, afirmou o chanceler chinês, segundo nota divulgada pelo serviço diplomático de Pequim.
Além de ministro, Wang Yi ocupa uma das posições mais elevadas no Partido Comunista Chinês, comandando a Diretoria de Relações Exteriores do Comitê Central.
Durante a ligação, Wang também condenou o uso de tarifas comerciais como instrumento de pressão política, uma crítica direta ao tarifaço imposto pelos EUA:
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“Usar tarifas como uma arma para reprimir outros países viola a Carta das Nações Unidas e mina as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio)”, diz o comunicado chinês.
A nota também destaca a importância do Brics — grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — como ferramenta de fortalecimento da solidariedade e cooperação entre os países do Sul Global. O bloco, que tem sido criticado abertamente por Trump, é visto por Pequim como peça-chave no equilíbrio das relações internacionais.
De acordo com fontes do governo brasileiro, o conteúdo da conversa foi confirmado, e Celso Amorim aproveitou a ligação para reforçar os laços entre Brasil e China. Ele exaltou a “profunda amizade”, a “forte confiança mútua” e a “cooperação frutífera” entre os dois países, além de corroborar as críticas chinesas ao tarifaço norte-americano.
Nesta semana, o governo brasileiro, por meio do conselho da Câmara de Comércio Exterior (Camex), autorizou o Itamaraty a apresentar uma ação formal na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos.
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