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Ministro Mauro Campbell, que recebeu R$ 141 mil em um mês, diz no Gilmarpalooza que salário não está à altura do trabalho no STJ

Corregedor nacional de Justiça citou mais de 130 mil processos julgados ao longo da carreira.

Por Natan AMPOST

06/06/2026 às 14:55 - Atualizado em 06/06/2026 às 22:43

Resumo


O ministro do STJ e corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, afirmou que sua remuneração não está à altura do trabalho desempenhado na Corte. A declaração ocorreu durante o Fórum de Lisboa. Dados do Portal da Transparência mostram que o magistrado recebeu cerca de R$ 141 mil em abril, valor superior ao teto constitucional devido a benefícios e verbas indenizatórias.

Notícias do Brasil – O corregedor nacional de Justiça e ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Mauro Campbell, afirmou que considera sua remuneração incompatível com o volume de trabalho desempenhado ao longo de sua trajetória na magistratura. A declaração foi dada durante entrevista concedida na última quinta-feira (4), durante o Fórum de Lisboa, evento jurídico realizado em Portugal e popularmente apelidado de “Gilmarpalooza”.

A fala repercutiu nas redes sociais após o magistrado afirmar que o salário recebido não estaria à altura da quantidade de processos analisados por ele no STJ. A declaração ocorreu em meio ao debate nacional sobre remunerações do Judiciário e pagamentos acima do teto constitucional.

Segundo dados disponíveis no Portal da Transparência do STJ, Mauro Campbell recebeu aproximadamente R$ 141 mil líquidos em abril deste ano. Em março, os ganhos líquidos somaram cerca de R$ 122 mil, enquanto em fevereiro o valor ficou próximo de R$ 127 mil.

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Os montantes incluem remuneração básica, indenizações, vantagens pessoais e outros créditos previstos na legislação.

Ministro cita volume de processos julgados

Durante a entrevista, Campbell justificou sua avaliação afirmando que a remuneração deveria refletir o tamanho da responsabilidade exercida por ministros das cortes superiores.

Eu não tenho a remuneração à altura dos milhares de processos que eu julgo no Superior Tribunal de Justiça. Eu desafio um juiz fora do Brasil que tenha se aproximado a essa cifra”, declarou.

O ministro também mencionou o volume de processos julgados ao longo de sua atuação na Corte.

Não invejo, não sei se julguei bem todos os 130 mil processos, não. Mas me esmerei o que pude. E deveria, sim, receber um salário à altura do que eu trabalho pelo país”, afirmou.

A declaração ocorre em um momento de forte discussão pública sobre os rendimentos de integrantes do Judiciário, especialmente após a divulgação de contracheques que ultrapassam o teto constitucional por meio de verbas indenizatórias e benefícios autorizados por lei.

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Valores superam teto constitucional

Atualmente, o teto do funcionalismo público brasileiro corresponde ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), fixado em R$ 46,3 mil mensais.

Apesar disso, magistrados e membros do Ministério Público podem receber valores superiores quando há pagamentos adicionais previstos em lei, como indenizações, gratificações, direitos acumulados e verbas retroativas.

Foi justamente essa composição que elevou os rendimentos de Mauro Campbell para valores superiores a R$ 100 mil nos primeiros meses de 2026.

Os números divulgados pelo Portal da Transparência mostram que o magistrado recebeu em abril cerca de três vezes o valor do teto constitucional.

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A divulgação dos dados reacendeu debates sobre os chamados “penduricalhos” do Judiciário, termo frequentemente utilizado para se referir aos pagamentos complementares que ampliam os vencimentos de magistrados e procuradores.

STF definiu novas regras para pagamentos

Em março deste ano, o Supremo Tribunal Federal aprovou novas diretrizes para disciplinar a remuneração de magistrados e integrantes do Ministério Público em todo o país.

A decisão busca uniformizar critérios até que seja criada uma lei nacional específica prevista pela Constituição Federal.

As novas regras reafirmam a existência do teto constitucional e estabelecem limites para pagamentos complementares, além de proibir a criação de benefícios sem previsão legal.

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O objetivo é aumentar a transparência e reduzir distorções nos contracheques de integrantes das carreiras jurídicas.

Limite para verbas adicionais

Entre os principais pontos definidos pelo STF está a limitação do total das vantagens recebidas pelos magistrados.

Pelas novas normas, a soma dos benefícios adicionais não poderá ultrapassar 70% do teto constitucional.

Esse percentual foi dividido em duas categorias distintas. Uma delas contempla vantagens relacionadas ao tempo de carreira e à progressão funcional. A outra engloba pagamentos como gratificações, diárias, substituições, acúmulo de funções e outras verbas autorizadas.

As medidas passaram a valer a partir do mês-base de abril e começaram a produzir reflexos nos pagamentos efetuados a partir de maio.

O acompanhamento do cumprimento das novas diretrizes ficará sob responsabilidade do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Debate nas redes sociais

As declarações de Mauro Campbell repercutiram rapidamente nas redes sociais e provocaram uma série de críticas de internautas. Muitos usuários questionaram a avaliação do ministro sobre sua remuneração, especialmente após a divulgação de dados do Portal da Transparência indicando ganhos superiores a R$ 100 mil mensais nos últimos meses.

Entre os comentários publicados, alguns usuários sugeriram que magistrados de altos tribunais estariam distantes da realidade da maioria dos trabalhadores brasileiros.

Eles vivem em outro mundo. Se comparam a megaempresários bem-sucedidos. Se acham injustiçados. Agora pergunta se algum quer sair e ir para a iniciativa privada montar uma banca de advogados e batalhar? Eles querem enriquecer trabalhando pouco, com estabilidade e aposentadoria precoce“, escreveu uma internauta.

Outro comentário que ganhou repercussão ironizou a fala do ministro sobre a remuneração recebida.

Que simples, ministro. Peça demissão e vá ganhar milhões na iniciativa privada com sua competência extrema. Ninguém o obriga a permanecer no cargo. Boa sorte nas novas funções“, publicou outro usuário.

As manifestações refletem um debate recorrente sobre os salários e benefícios pagos a integrantes do Judiciário, especialmente em momentos em que dados de remuneração acima do teto constitucional ganham visibilidade pública. A discussão também ocorre em meio às recentes mudanças aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal para disciplinar o pagamento de verbas adicionais a magistrados e membros do Ministério Público.

*Com informações do Estadão

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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