Ministro Mauro Campbell, que recebeu R$ 141 mil em um mês, diz no Gilmarpalooza que salário não está à altura do trabalho no STJ
Corregedor nacional de Justiça citou mais de 130 mil processos julgados ao longo da carreira.
- Foto: Reprodução
Resumo
O ministro do STJ e corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, afirmou que sua remuneração não está à altura do trabalho desempenhado na Corte. A declaração ocorreu durante o Fórum de Lisboa. Dados do Portal da Transparência mostram que o magistrado recebeu cerca de R$ 141 mil em abril, valor superior ao teto constitucional devido a benefícios e verbas indenizatórias.
Notícias do Brasil – O corregedor nacional de Justiça e ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Mauro Campbell, afirmou que considera sua remuneração incompatível com o volume de trabalho desempenhado ao longo de sua trajetória na magistratura. A declaração foi dada durante entrevista concedida na última quinta-feira (4), durante o Fórum de Lisboa, evento jurídico realizado em Portugal e popularmente apelidado de “Gilmarpalooza”.
A fala repercutiu nas redes sociais após o magistrado afirmar que o salário recebido não estaria à altura da quantidade de processos analisados por ele no STJ. A declaração ocorreu em meio ao debate nacional sobre remunerações do Judiciário e pagamentos acima do teto constitucional.
Segundo dados disponíveis no Portal da Transparência do STJ, Mauro Campbell recebeu aproximadamente R$ 141 mil líquidos em abril deste ano. Em março, os ganhos líquidos somaram cerca de R$ 122 mil, enquanto em fevereiro o valor ficou próximo de R$ 127 mil.
PUBLICIDADE
Os montantes incluem remuneração básica, indenizações, vantagens pessoais e outros créditos previstos na legislação.
Ministro cita volume de processos julgados
Durante a entrevista, Campbell justificou sua avaliação afirmando que a remuneração deveria refletir o tamanho da responsabilidade exercida por ministros das cortes superiores.
“Eu não tenho a remuneração à altura dos milhares de processos que eu julgo no Superior Tribunal de Justiça. Eu desafio um juiz fora do Brasil que tenha se aproximado a essa cifra”, declarou.
O ministro também mencionou o volume de processos julgados ao longo de sua atuação na Corte.
“Não invejo, não sei se julguei bem todos os 130 mil processos, não. Mas me esmerei o que pude. E deveria, sim, receber um salário à altura do que eu trabalho pelo país”, afirmou.
A declaração ocorre em um momento de forte discussão pública sobre os rendimentos de integrantes do Judiciário, especialmente após a divulgação de contracheques que ultrapassam o teto constitucional por meio de verbas indenizatórias e benefícios autorizados por lei.
PUBLICIDADE
Valores superam teto constitucional
Atualmente, o teto do funcionalismo público brasileiro corresponde ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), fixado em R$ 46,3 mil mensais.
Apesar disso, magistrados e membros do Ministério Público podem receber valores superiores quando há pagamentos adicionais previstos em lei, como indenizações, gratificações, direitos acumulados e verbas retroativas.
Foi justamente essa composição que elevou os rendimentos de Mauro Campbell para valores superiores a R$ 100 mil nos primeiros meses de 2026.
Os números divulgados pelo Portal da Transparência mostram que o magistrado recebeu em abril cerca de três vezes o valor do teto constitucional.
PUBLICIDADE
A divulgação dos dados reacendeu debates sobre os chamados “penduricalhos” do Judiciário, termo frequentemente utilizado para se referir aos pagamentos complementares que ampliam os vencimentos de magistrados e procuradores.
STF definiu novas regras para pagamentos
Em março deste ano, o Supremo Tribunal Federal aprovou novas diretrizes para disciplinar a remuneração de magistrados e integrantes do Ministério Público em todo o país.
A decisão busca uniformizar critérios até que seja criada uma lei nacional específica prevista pela Constituição Federal.
As novas regras reafirmam a existência do teto constitucional e estabelecem limites para pagamentos complementares, além de proibir a criação de benefícios sem previsão legal.
PUBLICIDADE
O objetivo é aumentar a transparência e reduzir distorções nos contracheques de integrantes das carreiras jurídicas.
Limite para verbas adicionais
Entre os principais pontos definidos pelo STF está a limitação do total das vantagens recebidas pelos magistrados.
Pelas novas normas, a soma dos benefícios adicionais não poderá ultrapassar 70% do teto constitucional.
Esse percentual foi dividido em duas categorias distintas. Uma delas contempla vantagens relacionadas ao tempo de carreira e à progressão funcional. A outra engloba pagamentos como gratificações, diárias, substituições, acúmulo de funções e outras verbas autorizadas.
As medidas passaram a valer a partir do mês-base de abril e começaram a produzir reflexos nos pagamentos efetuados a partir de maio.
O acompanhamento do cumprimento das novas diretrizes ficará sob responsabilidade do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Debate nas redes sociais
*Com informações do Estadão
Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos







