Ministros do STF batem boca durante votação sobre prisão do traficante André do Rap

Marco Aurélio mandou soltar o líder do PCC mas a decisão foi revogada pelo presidente do Supremo.

Redação AM POST

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux foi chamado pelo colega magistrado, Marco Aurélio Mello, de “censor e autoritário” por suspender, no último sábado (10) a liberação de um dos líderes do Primeiro Comando Capital (PCC), André de Oliveira Macedo, conhecido como André do Rap, determinada por ele.

Em julgamento nesta tarde no STF, Marco Aurélio defendeu seu habeas corpus que soltou o traficante no último sábado (10). “Se arvorou o presidente em censor, em tutor, em curador de um par. Creio que esse poder o presidente não tem, creio que o presidente é um coordenador de iguais, sendo responsável por uma interação maior entre os membros do tribunal”, afirmou Marco Aurélio.

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“Em jogo, presidente, está algo muito sério e que foge ao princípio da pessoalidade. Em jogo não está a saber se o presidente – o todo poderoso presidente – pode ou não cassar uma decisão do ministro Marco Aurélio. O que está em jogo neste julgamento é saber se o presidente pode tirar do cenário jurídico uma tutela de urgência implementada por um par personificando o supremo”, afirmou o ministro.

“Só falta essa, vossa excelência querer me ensinar como eu devo votar. Não imaginava que seu autoritarismo chegasse a tanto. Só falta vossa excelência querer me peitar para eu modificar o meu voto. O habeas corpus será levado ao colegiado”, continuou.

Fux respondeu afirmando que não tem razões para ser chamado de “totalitário”, e afirmou que seria uma “autofagia não defender a imagem da Corte depois que lhe bateram à porta para denunciar que o traficante desse nível pudesse ser solto”.

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“Aqui foi muito destacado que o caso era excepcional. Então, vossa excelência não nem razões nem para me categorizar como totalitário e nem para presumir que outros casos como esse ocorrerão”, respondeu o presidente do STF.

“Depois, enganando a Justiça, debochando da Justiça, enganando vossa excelência [Marco Aurélio], que determinou que ele cumprisse determinados requisitos, ele deixasse o país. Autofagia seria deixar o STF ao desabrigo. Que nós tenhamos dissenso, mas nunca discórdia”, disse Fux.

Em seguida, Marco Aurélio afirmou que não se sente enganado pelo traficante. “Reconheço o direito à autodefesa”.

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