Ministros do STF usaram inquérito das ‘fake news’ para saber se eram alvo da Lava Jato, diz Crusoé

Segundo a revista os magistrados acreditavam que, para além da barulheira da militância bolsonarista, estava em curso uma maquinação ainda mais complexa.

Redação AM POST

O inquérito das fake news foi usado por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar secretamente se a Lava Jato tinha membros da Corte na mira das investigações. A informação foi divulgada pela revista digital Crusoé.

“O então presidente do Supremo e outros ministros acreditavam que, para além da barulheira da militância bolsonarista, estava em curso uma maquinação ainda mais complexa, com participação de integrantes da Operação Lava Jato, para minar uma parcela da Corte. Mais do que isso, eles tinham certeza de existência de investigações ultrassecretas, realizadas à sorrelfa, destinadas a apanhá-los”, afirma a revista.

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A revista afirma ter tido acesso a documentos sigilosos que mostra que a investigação tocada pelo gabinete de Alexandre de Moraes tinha uma outra face: “mapear em que medida a Lava Jato estava buscando elementos desabonadores contra ministros do próprio Supremo”.

Em abril do ano passado foi revelado que o ex-presidente do STF, Dias Toffoli, era tratado como “amigo do amigo de meu pai” em e-mails internos da empreiteira Odebrecht. Depois da divulgação do codinome o ministro Alexandre de Moraes, ordenou que encarregados do inquérito descobrissem “o que mais tinha sobre Toffoli no material em poder da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba”.

De acordo com a Crusoé, a partir daí inciou-se uma corrida para colher o depoimento do ex-diretor jurídico da Odebrecht, Adriano Sá de Seixas Maia, que trocou e-mails com Marcelo Odebrecht sobre conversas com o “amigo do amigo de meu pai”.

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“Ao ouvi-lo, por óbvio, seria possível dirimir dúvidas sobre o potencial de dano que a história representava para Toffoli. Estaria Adriano disposto a causar embaraços para o ministro? Ele poderia estar agindo em linha com Marcelo Odebrecht? Teria dito algo comprometedor à Lava Jato? As perguntas pairavam no ar”, diz trecho da reportagem.