Moraes propõe 16 anos de prisão para coronéis da PMDF por omissão nos atos de 8 de janeiro
Segundo Moraes, os oficiais ignoraram “dezenas de alertas de inteligência” e montaram um esquema de segurança “manifestamente ineficaz”.
- Foto: STF
Notícias do Brasil – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou voto no plenário virtual da Corte propondo a condenação de cinco coronéis da Polícia Militar do Distrito Federal a 16 anos de prisão por omissão dolosa durante os ataques de 8 de janeiro de 2023. Na ocasião, as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas por extremistas.
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O julgamento ocorre na Primeira Turma do STF, onde os demais ministros têm até 5 de dezembro para registrar seus votos.
Moraes aponta omissão dolosa e ignorância a alertas de inteligência
Segundo Moraes, os oficiais ignoraram “dezenas de alertas de inteligência” e montaram um esquema de segurança “manifestamente ineficaz”, contribuindo de forma decisiva para a invasão e destruição das estruturas do Congresso Nacional, Palácio do Planalto e do próprio STF.
Para o relator, houve contribuição causal relevante para o avanço da multidão e para a tentativa de abolir o Estado democrático de direito, configurando omissão penalmente relevante.
Quais crimes os coronéis devem responder
O voto enquadra os oficiais nos crimes de:
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Abolição violenta do Estado democrático de direito
Golpe de Estado
Dano qualificado
Deterioração de patrimônio tombado
As penas somam 13 anos e 6 meses de reclusão, 2 anos e 6 meses de detenção, além de 100 dias-multa para cada réu.
Perda do cargo e indenização milionária
Moraes também propõe a perda dos cargos públicos e o pagamento de R$ 30 milhões em danos morais coletivos, valor a ser dividido entre os réus condenados. O prejuízo material das depredações já ultrapassa R$ 20 milhões, segundo laudos anexados ao processo.
Oficiais incluídos no voto de condenação
Fábio Augusto Vieira, ex-comandante-geral da PMDF
Klepter Rosa Gonçalves, ex-subcomandante-geral
Jorge Eduardo Naime, então chefe do Departamento de Operações
Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra, ex-subcomandante do DOP
Marcelo Casimiro Rodrigues, comandante operacional no dia dos atos
Dois oficiais são absolvidos por falta de provas
O ministro absolveu:
Major Flávio Silvestre de Alencar
Tenente Rafael Pereira Martins
Segundo o voto, não há provas de que os dois oficiais tinham autonomia ou poder de comando capazes de alterar o planejamento operacional ou impedir a escalada de violência. Ambos apenas cumpriam ordens em campo.
Contexto das ações do STF
O julgamento integra o amplo conjunto de processos do STF relacionados à tentativa de ruptura democrática após as eleições de 2022. A Corte já condenou mais de uma centena de envolvidos por participação direta ou indireta no ataque, reforçando o entendimento de que houve articulação organizada com apoio de agentes públicos e omissões estratégicas de autoridades de segurança.
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