MP pede na Justiça que amazonense que abandonou amigo em trilha do Pico Paraná pague indenização
Thayane Smith subiu montanha com Roberto Farias Tomaz, que se perdeu da trilha e passou cinco dias desaparecido.
- Foto: Reprodução/TV Globo
Resumo
MP do Paraná pede que investigada por omissão de socorro indenize Bombeiros e vítima após jovem ficar cinco dias perdido no Pico Paraná.
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A medida integra uma proposta de transação penal apresentada pelo MP-PR, que identificou indícios do crime de omissão de socorro. O entendimento contraria a conclusão da Polícia Civil do Paraná, que havia arquivado o inquérito ao não reconhecer a existência de crime.
Pagamento à vítima e prestação de serviços
Além do ressarcimento aos bombeiros, a Promotoria propôs que Thayane pague três salários mínimos — R$ 4.863 — diretamente a Roberto, como reparação por danos materiais e morais. O acordo prevê ainda a prestação de serviços comunitários por três meses, com carga de cinco horas semanais, a serem cumpridos junto à corporação de bombeiros.
O pedido inclui o envio do caso ao Juizado Especial Criminal, instância responsável por analisar a proposta. A transação penal é um instrumento previsto em lei para casos de menor potencial ofensivo, evitando a abertura de uma ação penal tradicional.
Cinco dias perdido na mata
Roberto desapareceu no dia 1º de janeiro, durante a descida da trilha do Pico Paraná. Segundo o MP, após ser deixado para trás, ele vagou por cerca de 20 quilômetros em área de mata fechada, seguindo o leito do rio Cacatu. Cinco dias depois, no dia 5, chegou a uma fazenda em Antonina, onde conseguiu um celular emprestado para avisar a família que estava vivo.
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Durante o período, equipes do Corpo de Bombeiros realizaram buscas intensas, enfrentando terreno de difícil acesso e condições climáticas adversas.
MP aponta consciência do risco
Na manifestação enviada à Justiça, o Ministério Público sustenta que Thayane tinha plena consciência da situação de risco enfrentada por Roberto. Conforme o documento, o jovem apresentava sinais claros de debilidade física, como vômitos durante a subida e dificuldades para caminhar.
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O MP também destaca fatores externos que agravavam o cenário: frio, chuva, neblina e o alto grau de dificuldade da trilha. Mesmo assim, segundo a Promotoria, a investigada optou repetidamente por seguir sozinha.
“Mesmo após constatar a vulnerabilidade da vítima, a investigada demonstrou interesse apenas em seu próprio bem-estar físico”, aponta o MP, que atribui dolo à conduta — ou seja, a intenção consciente de assumir o risco e não prestar auxílio.
Caso segue sob análise judicial
Com a proposta apresentada, caberá agora à Justiça avaliar se a transação penal será aceita. Caso homologada, Thayane cumprirá as medidas previstas sem responder a processo criminal formal. O caso reacende o debate sobre responsabilidade, segurança e solidariedade em trilhas de alto risco no país.
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