Novas mensagens revelam detalhes do suposto esquema de apostas envolvendo Bruno Henrique
O caso teve início após o confronto entre Flamengo e Santos, pelo Campeonato Brasileiro.
- Foto: Ricardo Moraes
Notícias do Brasil – O programa Fantástico, da TV Globo, exibiu neste domingo (20) detalhes inéditos da investigação da Polícia Federal que envolve o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, em um suposto esquema de apostas esportivas. A apuração aponta que o jogador teria fornecido informações privilegiadas para beneficiar apostadores, incluindo familiares e amigos.
O caso teve início após o confronto entre Flamengo e Santos, pelo Campeonato Brasileiro, realizado em 1º de novembro de 2023. Nos minutos finais da partida, Bruno Henrique recebeu um cartão amarelo após reclamar com o árbitro Rafael Klein. Na sequência, foi expulso. O lance, à primeira vista corriqueiro, levantou suspeitas quando três casas de apostas relataram movimentações atípicas sobre a possibilidade de o jogador ser advertido.
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A denúncia foi encaminhada à Polícia Federal por uma entidade internacional que monitora irregularidades em apostas esportivas. A investigação foi aberta em agosto do ano passado e culminou, em novembro, com uma operação de busca e apreensão. Foram analisados celulares e computadores dos envolvidos, e a PF concluiu um relatório robusto com trocas de mensagens entre Bruno Henrique e seu irmão, Wander Nunes Pinto Junior.
O documento sugere que Bruno Henrique teria avisado com antecedência sobre sua intenção de forçar o cartão. Em conversa datada de mais de dois meses antes da partida, Wander pergunta se o irmão estava com dois cartões acumulados e solicita ser informado sobre quando ele forçaria o terceiro. Bruno responde: “Contra o Santos.” A resposta é acompanhada de um agradecimento de Wander, que afirma guardar o dinheiro para o investimento.
Dias antes da partida, Bruno voltou a falar com o irmão, reforçando o combinado. A polícia acredita que uma ligação entre os dois, registrada no dia 29 de outubro, também esteja relacionada ao assunto. Segundo a PF, ao todo foram feitas 14 apostas sobre o cartão amarelo de Bruno Henrique, a partir de 13 contas diferentes, seis delas criadas na véspera do jogo. A maior parte dessas apostas partiu de Belo Horizonte, cidade natal do jogador.
Apostas em família
O Fantástico também revelou mensagens trocadas entre Wander, seus pais e sua esposa, Ludymilla Araújo Lima. Em uma conversa com a mãe, Wander relata dificuldades para continuar apostando com sua própria conta, devido ao bloqueio da opção de cartão amarelo para Bruno Henrique por uma operadora. A mãe pergunta se há possibilidade de reativação, e ambos discutem o uso de CPFs e dados de terceiros para abrir novas contas.
As investigações também apuram se Wander utilizava contas em nome de Ludymilla para movimentar apostas. Em uma das conversas, ele comenta sobre um valor que seria proveniente de uma aposta feita por ele, mas creditada à conta da esposa.
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Um mês após o jogo, Wander voltou a procurar Bruno: “No dia que você me deu a ideia do cartão, eu apostei R$ 3 mil pra ganhar R$ 12 mil. Só que até hoje ele não pagou. Está sob análise. O dinheiro tá todo preso lá”, escreveu, pedindo um empréstimo ao jogador.
Consequências legais e esportivas
Com base nas provas colhidas, Bruno Henrique e Wander Junior foram indiciados por fraude em competição esportiva, crime com pena prevista de 2 a 6 anos de prisão, além de estelionato, com pena de 1 a 5 anos. Outros envolvidos também foram indiciados por estelionato.
O caso agora será analisado pelo Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia à Justiça, transformando os indiciados em réus. No âmbito esportivo, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) poderá julgar o jogador. Caso não haja pedido de suspensão preventiva, Bruno Henrique poderá seguir atuando normalmente. No entanto, uma possível condenação pode resultar em suspensão ou até banimento do futebol.
Defesas se manifestam
Em nota, o advogado Ricardo Pieri, que representa Bruno Henrique, afirmou que o jogador “é conhecido por sua simplicidade, dedicação e comprometimento com o esporte”, e que “jamais participou de qualquer esquema de manipulação de resultados”. A defesa também declarou apoio a medidas que restrinjam o mercado de apostas no futebol.
O Flamengo, por sua vez, afirmou que acompanha o caso de perto, reafirmou seu compromisso com a ética no esporte e defendeu a presunção de inocência do atleta enquanto as investigações estiverem em curso.
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