Novo modelo de crédito imobiliário vai ampliar financiamentos e mudar uso da poupança no país
O novo modelo deverá ter plena vigência a partir de janeiro de 2027.
- Foto: Matheus Santos/Suhab
Notícias do Brasil – O governo federal anunciou nesta sexta-feira (10) uma reestruturação completa no modelo de crédito imobiliário do país. A nova proposta altera a forma como os bancos utilizam os recursos da caderneta de poupança para o setor habitacional e amplia o valor máximo dos imóveis financiados, com o objetivo de impulsionar o crédito para a classe média e estimular a construção civil.
Com a mudança, o total de recursos depositados na poupança passará a ser referência direta para o uso no setor habitacional, substituindo o atual sistema de depósitos compulsórios no Banco Central (BC). Essa transição busca liberar mais capital para financiamentos imobiliários, tornando o processo mais dinâmico e menos engessado.
Atualmente, 65% dos recursos captados pela poupança precisam ser direcionados obrigatoriamente ao crédito habitacional. Outros 15% são livres para operações financeiras mais rentáveis, enquanto 20% ficam retidos no Banco Central como depósito compulsório. Com o novo modelo, essa fatia retida será incorporada ao montante disponível para o mercado imobiliário, aumentando a oferta de crédito e a capacidade de financiamento dos bancos.
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Outra alteração importante será o aumento do teto de valor dos imóveis financiáveis dentro do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que passará de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. A medida pretende abranger imóveis de padrão médio e alto, atendendo a uma faixa de consumidores que vinha ficando de fora do modelo tradicional de crédito imobiliário.
O novo sistema também tem como meta fortalecer o programa habitacional nacional, ampliando o número de famílias com acesso à moradia financiada. A previsão é de que, até 2026, a Caixa Econômica Federal consiga financiar cerca de 80 mil novas moradias com base nas novas regras.
O anúncio ocorre em um momento em que o mercado imobiliário enfrenta retração provocada pela queda dos depósitos na poupança, principal fonte de recursos para o setor. Em 2023 e 2024, o país registrou retiradas líquidas de R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. Somente em 2025, o saldo negativo já ultrapassa R$ 78,5 bilhões.
Segundo especialistas do setor, um dos motivos para essa fuga de recursos é a alta da taxa Selic, que mantém os juros em patamar elevado e torna outros investimentos mais atrativos do que a poupança. Com o novo modelo, o governo busca reverter esse cenário, injetando mais liquidez no mercado imobiliário e aquecendo a economia por meio do crédito habitacional.
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O novo sistema de financiamento imobiliário também deve beneficiar construtoras e incorporadoras, que terão maior previsibilidade de recursos e segurança para novos empreendimentos. O objetivo é permitir que o crédito habitacional volte a ser um dos principais motores da economia nacional, estimulando o emprego, a renda e o consumo.
Entenda as mudanças
A reforma anunciada “moderniza as regras” de direcionamento do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), com o objetivo de maximizar a poupança como fonte de financiamento.
“Na medida em que mais valores são depositados em poupança, mais crédito será disponibilizado para financiamento imobiliário, o que tende a ampliar a oferta de crédito, considerando ainda as captações de mercado, por exemplo, via LCIs (Letras de crédito imobiliário) e CRIs (Certificados de recebíveis imobiliários)”, explicou o governo, em comunicado.
Após um período de transição, o direcionamento obrigatório de 65% dos depósitos da poupança acabará e os depósitos compulsórios no Banco Central referentes a esse tipo de aplicação também.
O total dos recursos depositados na caderneta de poupança passará a ser referência para o volume de dinheiro que os bancos devem destinar ao crédito habitacional, incluindo as modalidades do SFH e do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI).
Quando estiver plenamente implementado o novo modelo, se uma instituição captar no mercado, por exemplo, R$ 1 milhão e direcionar integralmente esse montante para financiamento imobiliário, ela poderá usar a mesma quantia captada na poupança, que tem custo mais baixo, para aplicações livres por um período predeterminado.
Para isso, 80% dos financiamentos habitacionais deverão ser feitos pelas regras do SFH, que têm juros limitados a 12% ao ano.
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“O novo modelo aumenta a competição, pois incorpora os depósitos interfinanceiros imobiliários ao direcionamento, o que permite que instituições que não captam poupança também concedam crédito habitacional em condições equivalentes às demais”, argumenta o governo.
A transição será gradual, iniciando ainda este ano. O novo modelo deverá ter plena vigência a partir de janeiro de 2027.
Até lá, fica valendo o direcionamento obrigatório de 65% dos recursos captados na poupança para operações de crédito habitacional.
Dos 35% restantes, pelas regras atuais, 20% são recolhidos ao Banco Central a título de depósito compulsório e 15% vão para operações livres.
Durante a transição, o volume dos compulsórios será reduzido para 15% e os 5% serão aplicados no novo regime.

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