‘Orçamento secreto’ da Câmara dos Deputados destinou R$ 1,3 bilhão em emendas sem autor no ano de 2025
Levantamento da Transparência Brasil aponta que deputados omitiram autoria em mais de 1,3 mil indicações de verbas públicas, repetindo lógica de falta de controle e blindagem política.

(Foto: Divulgação)
Notícias do Brasil – A Câmara dos Deputados voltou a operar sob a sombra da falta de transparência na gestão das verbas federais. Um relatório detalhado publicado pela organização Transparência Brasil revelou que, ao longo de 2025, a Casa registrou um montante impressionante de R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão sem qualquer identificação dos deputados responsáveis por indicar o destino do dinheiro. A manobra institucional, de acordo com especialistas, repete exatamente a mesma lógica do antigo e condenado “orçamento secreto”, comprometendo gravemente a fiscalização sobre o uso de recursos públicos no país [cite_36e2ff.jpg: image_36e2ff.jpg].
PUBLICIDADE
Como funcionou o esquema de ocultação das emendas de comissão?
De acordo com os dados técnicos levantados pela auditoria, as comissões da Câmara realizaram um total de 12.231 registros de distribuição de verbas. Desse montante, os técnicos identificaram 1.341 indicações específicas em que o nome do parlamentar que solicitou e direcionou o dinheiro foi omitido ou mascarado pelos colegiados.
O duto de recursos sem autoria declarada serviu para irrigar bases eleitorais e projetos locais sem que a sociedade pudesse rastrear qual deputado foi o padrinho da verba. A ocultação impede que órgãos de controle avaliem se houve desvio de finalidade, superfaturamento ou favorecimento político ilícito com o Orçamento Geral da União.
Quais partidos e lideranças estão envolvidos na manobra?
O levantamento da Transparência Brasil foi explícito ao apontar que a falta de autoria não se tratou de um erro administrativo isolado, mas de um mecanismo estruturado que envolveu diretamente as lideranças partidárias e blocos que controlam o Congresso Nacional.
O esquema de liberação bilionária sem rastro contou com a participação direta de cúpulas de pelo menos sete legendas de peso no Legislativo:
Progressistas (PP);
União Brasil;
Partido Liberal (PL);
Republicanos;
Avante;
Podemos.
Ao centralizar as decisões de repasses nas mãos de líderes partidários e presidentes de comissões, as siglas conseguem distribuir bilhões de reais como moeda de troca por apoio político, mantendo os verdadeiros beneficiários longe do escrutínio da população.
PUBLICIDADE
Por que a prática é vista como o retorno do “Orçamento Secreto”?
O modelo de emendas de comissão (chamadas tecnicamente de RP8) deveria, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), seguir critérios estritos de publicidade e impessoalidade. No entanto, ao blindar o nome dos autores de R$ 1,3 bilhão em repasses, a Câmara burlou o espírito da decisão da Suprema Corte.
LEIA MAIS: STF determina bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens de Eduardo Cunha por suspeita sobre emendas
Para a Transparência Brasil, a perpetuação desse modelo gera um apagão de dados. O cidadão perde a capacidade de saber se o dinheiro dos seus impostos está sendo usado para melhorar a saúde e a infraestrutura ou se está alimentando esquemas de corrupção e barganhas de bastidores em Brasília.
Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos





