País de origem das vacinas influenciou aceitação durante a pandemia de COVID-19, aponta estudo
No Brasil, por exemplo, era comum ver pessoas cruzando bairros ou cidades em busca de uma marca específica de vacina.

Foto: Reprodução
Notícias do Brasil – Um fenômeno inédito marcou as campanhas de vacinação contra a COVID-19: a origem dos imunizantes passou a influenciar diretamente a confiança da população. Pesquisas realizadas em diversos países indicaram que, além da eficácia comprovada, o país de fabricação passou a ser um fator decisivo na escolha das vacinas, mesmo quando estas eram distribuídas gratuitamente pelo sistema público de saúde.
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No Brasil, por exemplo, era comum ver pessoas cruzando bairros ou cidades em busca de uma marca específica de vacina. Nas redes sociais, usuários postavam fotos com as agulhadas e hashtags como “Viva o SUS”, “Foi Pfizer” ou “Tomei AstraZeneca”, mostrando orgulho tanto pelo sistema de saúde quanto pelo imunizante recebido.
O fenômeno não se restringiu ao Brasil. No México, o imunizante russo foi rejeitado, enquanto Índia e Irã demonstraram preferência por vacinas produzidas localmente. Nos Estados Unidos, mesmo diante de vacinas estrangeiras com padrões de qualidade semelhantes, os norte-americanos mostraram clara preferência por produtos nacionais.
“Foi um fenômeno global. Pela primeira vez, foi demonstrada uma preocupação com a origem dos imunizantes. Antes da pandemia, ninguém nem sabia onde elas eram fabricadas”, afirma João Lucas Hana Frade, doutor em administração de organizações pela FEA-RP-USP, autor do estudo que analisou 52 trabalhos sobre vacinas em 48 países.
Segundo o pesquisador, o efeito do país de origem, já bem documentado no marketing, costuma ocorrer com produtos caros ou ligados ao status, como vinhos e carros. “Quando o consumidor não tem conhecimento técnico suficiente para escolher um produto, ele opta por utilizar características do país de origem para inferir a qualidade. No caso das vacinas, a divulgação gerou inseguranças semelhantes, resultando nesse efeito”, explica Janaina de Moura Engracia Giraldi, professora da FEA-RP-USP e orientadora do estudo.
O estudo identificou também preferência por vacinas ocidentais – especialmente aquelas desenvolvidas na Alemanha, EUA e Reino Unido – em detrimento das opções russas ou chinesas. Países que não produziram vacinas localmente, como Brasil, Japão e Gana, também apresentaram viés nacional, escolhendo vacinas ocidentais.
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Para os pesquisadores, compreender o efeito do país de origem é essencial para futuras campanhas de vacinação e comunicação de saúde. “Empresas produtoras podem enfatizar ou minimizar estrategicamente o país de origem, dependendo dos benefícios ou riscos percebidos”, afirma Frade.
O estudo foi publicado na revista Management Review Quarterly e reforça a necessidade de considerar fatores culturais, geográficos e de percepção de qualidade na formulação de políticas de saúde pública.
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