PF aponta omissões e rejeita acordo de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro
Controlador do Banco Master tentava poupar políticos de Brasília na Operação Compliance Zero; investigado perde regalias e é transferido para cela comum

Foto: Divulgação
Resumo
A Polícia Federal (PF) rejeitou a proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, preso preventivamente na Operação Compliance Zero. Os investigadores apontaram que o empresário cometeu omissões relevantes e tentou blindar figuras influentes de Brasília envolvidas em fraudes financeiras.
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Notícias do Brasil – As negociações para um acordo de colaboração premiada entre o empresário Daniel Vorcaro e as autoridades federais foram formalmente encerradas sem sucesso. A Polícia Federal (PF) rejeitou a proposta apresentada pela defesa do controlador do Banco Master, que cumpre prisão preventiva no âmbito da Operação Compliance Zero. A corporação concluiu que o banqueiro agiu de má-fé ao omitir dados cruciais e tentar blindar integrantes do núcleo político de Brasília envolvidos no esquema de corrupção.
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Fracasso na delação e perda de privilégios
A equipe jurídica de Vorcaro tentou, nos últimos dias, submeter uma versão revisada e ampliada dos anexos da delação na tentativa de salvar o acordo. Contudo, os delegados responsáveis pelo caso avaliaram que o material continuava insuficiente, superficial e sem utilidade prática para o avanço das investigações. A PF identificou um esforço deliberado do banqueiro para poupar personagens considerados centrais na engrenagem criminosa.
O colapso das tratativas teve impacto imediato nas condições carcerárias do réu na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Com o aval do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), Vorcaro foi retirado de uma sala especial de Estado-Maior — aposento anteriormente ocupado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro — e transferido para uma cela comum de trânsito, descrita por aliados como um espaço de estrutura precária.
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Além da mudança de cela, a PF impôs duras restrições à rotina de defesa do banqueiro. O acesso livre que os advogados tinham ao cliente (das 9h às 17h) foi revogado. A partir de agora, os defensores só podem visitá-lo duas vezes por dia, com duração máxima de 30 minutos por encontro, sendo proibida a entrada com ferramentas ou instrumentos de trabalho.
O raio-x da Operação Compliance Zero
Daniel Vorcaro é apontado pelos investigadores como o líder e principal articulador de uma organização criminosa que movimentou bilhões de reais em fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e monitoramento ilegal de autoridades e concorrentes mercantis. A operação é dividida em seis fases cronológicas:
1ª Fase (Novembro/2025): Deflagração do caso com a primeira prisão de Vorcaro e diretores do Banco Master. Houve a apreensão de obras de arte, relógios de grife e R$ 1,6 milhão em espécie.
2ª Fase (Janeiro/2026): Foco em familiares e testas de ferro. O STF determinou buscas em cinco estados e realizou o bloqueio histórico de R$ 5,7 bilhões em ativos.
3ª Fase (Março/2026): Nova ordem de prisão contra Vorcaro. Descortinou-se a atuação de uma suposta “milícia privada” armada que realizava ameaças e invasões de dispositivos eletrônicos a mando do banqueiro.
4ª Fase (Abril/2026): Investigação de fraudes e transações imobiliárias fraudulentas envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
5ª Fase (Maio/2026): Entrada no núcleo político do Congresso Nacional. O senador Ciro Nogueira tornou-se alvo por suspeita de receber repasses financeiros do esquema.
6ª Fase (Maio/2026): Prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel, e de policiais civis e federais suspeitos de corrupção sistêmica para proteger o banco.
Sem o benefício da delação premiada para abater futuras penas, a defesa de Daniel Vorcaro agora enfrenta o endurecimento do regime fechado ordinário enquanto aguarda o oferecimento das denúncias criminais por parte do Ministério Público Federal.
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