A operação incluiu mandado de busca e apreensão na residência do ex-assessor Márcio José Toledo Pinto, que já foi desligado da corte. Segundo os investigadores, a nova etapa foi motivada por indícios de tentativa de obstrução das investigações.
Ex-assessor é suspeito de monitorar delegado
De acordo com a apuração, Márcio Toledo teria passado a perseguir e filmar um delegado da PF responsável pelo caso. A conduta levantou suspeitas de interferência no andamento das investigações.
Aos investigadores, o ex-assessor alegou que agiu após desconfiar que o agente estaria utilizando um veículo apreendido durante a operação, justificando assim o monitoramento.
A PF considerou a atitude como possível tentativa de intimidação ou coleta indevida de informações sobre a investigação em curso.
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Pedido de prisão foi negado pelo STF
Diante dos indícios, a Polícia Federal solicitou a prisão temporária do investigado. No entanto, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, negou o pedido.
O magistrado entendeu que, nesse caso, a legislação não prevê prisão temporária apenas com base em suspeita de obstrução de investigação.
PF aponta corrupção e vazamento de decisões
Em relatório encaminhado ao STF no mês anterior, a Polícia Federal indiciou Márcio Toledo por crimes como corrupção passiva e violação de sigilo funcional.
Segundo os investigadores, ele teria modificado e vazado informações relacionadas a decisões de ministras do STJ, atendendo a interesses de um lobista em troca de vantagens financeiras.
O caso já havia sido alvo de uma fase anterior da investigação, conhecida como operação Sisamnes, deflagrada em novembro de 2024.
Pagamentos chegaram a R$ 4 milhões
As quebras de sigilo bancário revelaram movimentações financeiras consideradas suspeitas. De acordo com a PF, o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves teria repassado ao menos R$ 4 milhões ao ex-assessor.
Os valores teriam sido transferidos por meio de uma empresa registrada em nome da esposa do investigado, o que, segundo a apuração, pode indicar tentativa de ocultação de recursos.
PF descarta, por ora, envolvimento de ministros
Apesar da gravidade das suspeitas, a Polícia Federal informou que, até o momento, não há indícios de participação de ministros do STJ no esquema investigado.
O relatório mais recente, elaborado pelo delegado responsável pelo caso, aponta que os elementos reunidos até agora não indicam conluio entre servidores investigados e magistrados da corte.
“Ressalta-se que não existe nestes autos, até o presente momento, elementos indicativos da participação de ministros do STJ no esquema criminoso”, destaca o documento.
Investigação segue em andamento
A apuração continua sob supervisão do STF e pode avançar com a análise de materiais apreendidos e novos depoimentos.
A expectativa é que as próximas fases esclareçam a extensão do esquema, identifiquem outros possíveis envolvidos e confirmem se houve impacto direto em decisões judiciais.