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PF relaciona apartamento de R$ 2,4 milhões à atuação de Jaques Wagner em favor do Banco Master no Congresso Nacional

Segundo a investigação, um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões teria sido oferecido como contrapartida.

Por Natan AMPOST

18/06/2026 às 09:46 - Atualizado em 18/06/2026 às 23:15

Resumo

A Polícia Federal aponta que o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria atuado em pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional, incluindo mudanças nas regras do crédito consignado, propostas relacionadas ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e discussões sobre a compra da instituição pelo BRB. Segundo a investigação, um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões teria sido oferecido como contrapartida. Wagner nega irregularidades e não foi alvo de buscas em seu gabinete por decisão do STF.

Notícias do Brasil – A decisão judicial que embasou a nova fase da Operação Compliance Zero detalha como o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria atuado em pautas consideradas estratégicas para o Banco Master. Os elementos reunidos pela Polícia Federal indicam uma série de articulações parlamentares que, segundo os investigadores, beneficiariam diretamente os interesses da instituição financeira.

A investigação sustenta que a atuação atribuída ao senador ocorreu em pelo menos três frentes: a ampliação da margem do crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, aposentados, pensionistas e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC); a tramitação de propostas com impacto sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC); e discussões relacionadas à fiscalização da negociação envolvendo a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).

Segundo a PF, as ações teriam ocorrido em alinhamento com interesses defendidos pelo banco e por pessoas ligadas ao seu controle.

Crédito consignado é apontado como principal pauta de interesse

De acordo com os investigadores, uma das principais atuações atribuídas a Jaques Wagner envolveu mudanças nas regras do crédito consignado.

A Polícia Federal afirma que o senador manteve interlocução direta com o banqueiro Augusto Ferreira Lima sobre uma proposta que ampliava a margem consignável para trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), além de aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC.

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Leia mais: Jaques Wagner e Augusto Lima são alvos de nova operação da PF envolvendo Banco Master

O objetivo da proposta era aumentar o limite de comprometimento da renda com empréstimos consignados, ampliando o potencial de concessão de crédito por instituições financeiras que atuam nesse segmento.

A matéria acabou sendo incorporada à Emenda nº 30 da Medida Provisória 1.106/2022. Posteriormente, a medida foi convertida em lei, ampliando o alcance das operações de crédito consignado para milhões de brasileiros.

Para a Polícia Federal, a defesa da proposta representava um interesse econômico relevante para o Banco Master, que possuía atuação no mercado de crédito.

Investigação cita atuação sobre o Fundo Garantidor de Crédito

Outro ponto destacado pelos investigadores envolve a chamada “Emenda Master”, vinculada à tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023.

Segundo a PF, a proposta possuía potencial impacto sobre o Fundo Garantidor de Crédito, mecanismo responsável por assegurar depósitos e aplicações financeiras até determinados limites em casos de intervenção ou falência de instituições financeiras.

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Os investigadores apontam que Jaques Wagner teria atuado em favor da aprovação de mudanças defendidas pelo Banco Master. A emenda foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) e, segundo a investigação, possuía relevância estratégica para os interesses da instituição financeira.

O relatório menciona uma intensa troca de contatos envolvendo pessoas ligadas ao banco, incluindo Daniel Vorcaro, Guilherme Sodré, Augusto Lima e integrantes da equipe do gabinete do senador.

Ligações e troca de mensagens são citadas pela PF

A Polícia Federal descreve uma sequência de contatos que teria ocorrido durante a tramitação da proposta relacionada ao FGC.

Conforme a investigação, em 13 de agosto de 2024, data em que a Emenda nº 11 foi incluída na tramitação legislativa, houve uma ligação telefônica entre Jaques Wagner e Augusto Lima com duração de nove minutos e dezenove segundos.

Logo após a conversa, segundo a PF, teria sido enviado ao senador um link relacionado ao texto da emenda.

Ainda conforme os investigadores, em 27 de agosto daquele ano, após uma reunião presencial entre os envolvidos, o mesmo link teria sido novamente compartilhado.

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Para a Polícia Federal, a cronologia dos contatos sugere uma interlocução constante sobre matérias legislativas consideradas relevantes para o Banco Master.

Apartamento de R$ 2,4 milhões aparece como possível contrapartida

Um dos pontos mais sensíveis da investigação envolve a suposta contrapartida que teria sido oferecida em razão da atuação parlamentar.

Segundo a PF, foi identificada a aquisição de um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,4 milhões, localizado no empreendimento Poème Horto.

A investigação aponta que informações referentes à unidade residencial teriam sido repassadas diretamente por Jaques Wagner a Augusto Ferreira Lima.

Os investigadores afirmam ainda que as negociações relacionadas ao imóvel continuaram mesmo após o início das primeiras fases da Operação Compliance Zero.

O relatório cita a existência de chamadas telefônicas, reuniões presenciais, videoconferências e troca de minutas contratuais envolvendo os participantes da negociação.

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Para a PF, esses elementos reforçam a necessidade de aprofundamento das apurações sobre a origem e as circunstâncias da operação imobiliária.

STF rejeitou buscas em gabinete do senador

Apesar dos elementos apresentados pela Polícia Federal, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), não autorizou a realização de buscas e apreensões no gabinete de Jaques Wagner nem em escritórios vinculados ao seu mandato parlamentar.

A medida havia sido solicitada pela Polícia Federal, mas encontrou resistência da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se manifestou contra o pedido.

Na decisão, Mendonça argumentou que diligências em dependências vinculadas a outro Poder da República exigem justificativa robusta e demonstração concreta de que existam provas indispensáveis no local.

Segundo o ministro, não foram apresentados elementos suficientes para demonstrar que eventuais evidências relevantes só poderiam ser obtidas por meio de buscas nas instalações ligadas ao mandato parlamentar.

Apuração continua

A Operação Compliance Zero segue investigando uma suposta estrutura de influência envolvendo interesses do Banco Master em diferentes esferas do poder público.

As informações reunidas até o momento pela Polícia Federal são tratadas como indícios em fase de investigação e ainda serão submetidas ao contraditório e à análise das instâncias competentes.

O senador Jaques Wagner não foi alvo de prisão nem de buscas em seu gabinete. O caso continua sob análise do Supremo Tribunal Federal e poderá ter novos desdobramentos à medida que as investigações avancem.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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