Polícia aponta que organizadora rope jump mandou apagar vídeos após queda fatal de jovem jogada sem cordas de segurança
Polícia Civil afirma que organizadora do grupo Entre Cordas teria mandado apagar imagens após acidentes.
Resumo
- O que aconteceu: Polícia Civil afirma que organizadora do grupo Entre Cordas teria mandado apagar imagens após acidentes.
- Quem é investigada: Evelyne dos Santos foi indiciada por homicídio com dolo eventual e fraude processual.
- O que diz o inquérito: Funcionários relataram ordem para apagar o vídeo da GoPro de Maria Eduarda após o acidente.
- Outro caso: Ex-funcionária afirma que a mesma orientação foi dada após um acidente envolvendo um menino de 9 anos.
Notícias do Brasil – A investigação da Polícia Civil sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), aponta uma nova suspeita: uma das responsáveis pelo grupo Entre Cordas teria orientado funcionários a apagar imagens registradas por câmeras após acidentes ocorridos no local.
Segundo o inquérito, a ordem teria partido de Evelyne dos Santos, apontada como organizadora da equipe e que se apresentava nas redes sociais como “CEO do Entre Cordas”. Ela permanece presa e foi indiciada por homicídio com dolo eventual e fraude processual.
O que diz o depoimento dos funcionários?
De acordo com a investigação, um funcionário afirmou em depoimento que recebeu de Evelyne a determinação para recolher a câmera GoPro utilizada por Maria Eduarda e apagar o vídeo gravado no momento do acidente.
Além desse relato, três testemunhas disseram ter visto uma pessoa retirar a câmera da vítima logo após a queda. Em depoimentos, integrantes da equipe negaram saber onde estava o equipamento ou mesmo se Maria Eduarda utilizava a câmera durante o salto.
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A suspeita de tentativa de eliminar provas é um dos elementos que embasaram o indiciamento por fraude processual.
A Polícia investiga outros casos de supressão de imagens?
Sim.
Segundo o inquérito, uma ex-funcionária enviou um áudio à Polícia Civil afirmando que Evelyne também teria determinado a exclusão das imagens de outro acidente ocorrido meses antes no mesmo local.
O caso envolveu um menino de 9 anos, que sofreu um grave acidente durante uma atividade do grupo.
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Conforme o depoimento, a orientação teria sido para que o vídeo não fosse compartilhado porque não se sabia qual seria a reação do pai da criança, que também trabalhava na equipe.
O que aconteceu com o menino de 9 anos?
A investigação aponta que, cerca de três meses antes da morte de Maria Eduarda, um menino de nove anos quase morreu durante outro salto realizado pelo grupo Entre Cordas.
Segundo o inquérito, houve uma falha no sistema de debreagem, mecanismo responsável por frear a corda durante a atividade.
O integrante da equipe Luis Gustavo, que saltou ao mesmo tempo que a criança, descreveu o momento do acidente.
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“O garoto foi correndo, eu já fui correndo atrás. Ele pulou e eu pulei dando um mortal logo atrás. Eu não ouvi o garotinho gritar o ‘uhu’, que ele sempre gritava. Comecei a ouvir algumas pessoas gritando o nome dele e, quando olhei para o lado, ele estava no chão.”
O pai da criança também integrava a equipe e prestou depoimento como testemunha.
Como aconteceu a morte de Maria Eduarda?
Apesar do acidente anterior, as atividades continuaram sendo realizadas na Ponte do Esqueleto.
No dia 13 de junho, Maria Eduarda Rodrigues de Freitas foi lançada da ponte sem estar presa à corda de segurança, equipamento indispensável para a prática do rope jump.
Ela chegou a ser socorrida, mas morreu em decorrência dos ferimentos provocados pela queda.
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Um vídeo gravado pelo celular da própria vítima confirmou que ela foi lançada sem o equipamento de proteção conectado ao corpo, tornando-se uma das principais provas da investigação.
O que acontece agora?
O inquérito policial foi concluído e mantém quatro pessoas presas, todas investigadas por participação no caso.
Além da apuração sobre a morte de Maria Eduarda, a Polícia Civil também investiga a suposta tentativa de ocultação de provas e a continuidade da atividade mesmo após um acidente grave envolvendo uma criança meses antes da tragédia.
Contexto
O caso ganhou repercussão nacional por envolver uma atividade realizada sem autorização adequada e por indícios de sucessivas falhas de segurança. As novas revelações reforçam a linha investigativa de que acidentes anteriores poderiam ter servido de alerta para impedir a morte de Maria Eduarda, além de levantar suspeitas sobre uma possível tentativa de eliminar provas logo após os incidentes.
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