Presidente do STF participou em maio de seis eventos bancados por réus da Suprema Corte
Barroso reagiu à repercussão negativa.
- Foto: reprodução
Notícias do Brasil – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, esteve no centro de uma nova polêmica em maio, após participar de pelo menos seis eventos organizados ou patrocinados por empresários cujas empresas têm interesses diretos em processos que tramitam na Corte. A revelação feita pela Folha de S.Paulo levantou questionamentos sobre os limites éticos da atuação institucional dos ministros do Supremo e expôs uma crise de credibilidade que se agrava com o tempo.
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Em um dos casos, Barroso compareceu a um jantar beneficente promovido pelo CEO do iFood, Diego Barreto. Em um vídeo amplamente divulgado nas redes sociais, o ministro aparece sorridente, dividindo o microfone com o empresário em um momento de descontração. A ocasião, segundo os organizadores, tinha o propósito de arrecadar fundos para o programa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que oferece bolsas de estudo a candidatos negros e indígenas que buscam ingressar na magistratura.
OLHA EU AQUI CAÇANDO TOMAR UM PROCESSO
(e fodasse)Renê Silva, Paula Lima, o Supremo Luis Roberto Barroso, muito fofinhos, nesse circo aí junto com o Diego Barreto.
Fazem assim, à luz do dia e regado à champanhe.
A esquerda vai continuar defendendo/consumindo essas figuras aí? pic.twitter.com/52WfLPhKAP
— ¹² Nicolas ᶜʳᶠ ❤️ (@nicolassoueu) May 24, 2025
Em nota, o STF afirmou que Barroso conversa com advogados, indígenas, empresários rurais, jornalistas e outros segmentos da sociedade. “Em eventos de empresários, por exemplo, há interesses inclusivos contrários por parte deles na relação ao STF. Dialogar com as partes de um processo não gera conflito de interesses”, diz nota.
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Barroso, por sua vez, reagiu à repercussão negativa. No último sábado (7), o ministro minimizou as críticas ao afirmar que o Brasil sofre de “preconceito contra a livre iniciativa e contra o empresário em geral”. Em tom quase irônico, afirmou que, se fosse impedido de se relacionar com pessoas que têm interesses em decisões do STF, teria que viver “trancado em casa”.
A resposta do presidente do Supremo, porém, escancara um problema maior: a naturalização da promiscuidade entre as mais altas instâncias do Judiciário e o poder econômico. Ao tratar com desdém a preocupação legítima com a imparcialidade do Supremo, Barroso desvia do essencial — não se trata de preconceito contra empresários, mas de zelo pela integridade da Justiça.
É evidente que o combate ao racismo estrutural e a promoção da diversidade na magistratura são pautas urgentes. No entanto, quando essas causas são instrumentalizadas em eventos patrocinados por empresas interessadas em decisões da Corte, o risco é que a finalidade se perca no caminho — e que a credibilidade da própria iniciativa se dissolva diante da suspeição.
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