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‘Prevenir caso de dengue é difícil, mas morte pode ser evitada’, secretária federal de vigilância em Saúde

Ethel Maciel fala do desafio de eliminar criadouros do mosquito Aedes Aegypti

14/02/2024 às 15:49

Foto: Walterson Rosa/MS

Ethel Maciel, responsável pela área de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, mencionou que está sendo desafiador gerenciar a proliferação de mosquitos Aedes Aegypti, transmissores da dengue, utilizando abordagens convencionais como o uso de inseticidas (fumacê) e a eliminação de criadouros. Como resultado, os casos de infecção continuam aumentando. No entanto, ela ressaltou que as mortes decorrentes da doença são “preveníveis” e destacou que essa é a principal missão do órgão.

“Desde o ano passado, já tínhamos uma previsão do que podia acontecer em 2024, nos preparamos para isso. A grande missão agora é evitar a morte. Porque, muitas vezes, não conseguimos evitar a infecção. Estamos há séculos lutando contra o mosquito, contra o vetor, e já sabemos que esse não é um bom (tipo de) controle. Usamos os inseticidas e dependemos de todo mundo para fazer essa diminuição de focos, mas o controle do vetor é sempre difícil. Estamos tendo dificuldade com a utilização principalmente dos inseticidas que estão disponíveis, já temos vários estudos dizendo que eles não funcionam bem”, afirmou em entrevista ao Jornal da CBN.

Como reportado pelo Estadão em novembro passado, a dengue tem aumentado significativamente não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. O número de casos anuais da doença cresceu 10 vezes na região das Américas em duas décadas. Especialistas explicam que não há uma única razão para isso, mas destacam que as mudanças climáticas e a eficácia limitada das medidas tradicionais de controle, mesmo sendo importantes enquanto novas tecnologias são testadas gradualmente no mercado, desempenham um papel significativo.

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Uma possível reversão desse cenário desfavorável depende de três pilares. O primeiro é uma vacina eficaz distribuída em larga escala para a população. No Brasil, a vacinação com a Qdenga, desenvolvida pelo laboratório Takeda, integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS), iniciou na sexta-feira, 9. No entanto, a capacidade de produção da empresa japonesa é limitada – o Ministério da Saúde adquiriu 90% da produção deste ano. Assim, apenas as crianças de 10 a 14 anos de 521 municípios receberão a vacina em 2024.

O segundo pilar são abordagens inovadoras para o controle do vetor. Uma técnica promissora já aplicada em algumas cidades brasileiras é o método Wolbachia. Nesse método, mosquitos ou ovos são modificados em laboratório para carregar a bactéria Wolbachia, que impede a transmissão de arboviroses. Os insetos são liberados no ambiente para competir com os mosquitos selvagens, substituindo-os.

Embora a técnica tenha apresentado resultados surpreendentes em todo o mundo, com reduções de até 90% na incidência da dengue em algumas localidades, a baixa capacidade de produção de mosquitos é um desafio a ser superado para que a estratégia possa ser expandida para mais lugares.

Ainda falta um tratamento específico para a dengue. Atualmente, a doença é tratada com medicamentos para alívio dos sintomas – a automedicação é perigosa e pode agravar o quadro – e com um protocolo adequado de hidratação, que pode salvar vidas. “O que precisamos fazer na dengue é manter a pessoa hidratada”, resumiu Ethel.

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Essa hidratação inclui o consumo de água e sais de hidratação oral. Em casos mais graves, é administrada de forma intravenosa. Portanto, é crucial que os pacientes com confirmação ou suspeita estejam atentos aos sinais de alarme da doença e busquem assistência médica assim que apresentarem esses sinais.

No ano passado, foram registradas 1.094 mortes por dengue no Brasil, conforme o painel de monitoramento de arboviroses do Ministério da Saúde, um recorde desde 2000. Em termos de casos, o ano passado foi o segundo pior da história do país, com 1,63 milhão de infecções prováveis. Segundo Ethel, desde o final do ano passado, o Ministério da Saúde tem atuado para evitar mortes pela doença, sendo 75 óbitos registrados até o momento.

No ano passado, a secretária explicou que a doença colocou uma grande pressão em estados que não enfrentavam um aumento da dengue há anos, como é o caso da região Sul. “Tivemos que realizar treinamentos mais intensivos, porque os profissionais de saúde há muito tempo não lidavam com essa doença, não faziam diagnósticos, não acompanhavam casos.”

Conforme relatado pelo Estadão, já em novembro, o Ministério enviou uma nota técnica alertando sobre o aumento incomum da doença no final daquele ano. O órgão solicitou o reforço antecipado das medidas de controle do vetor e intensificou a preparação dos profissionais de saúde. Semanas depois, anunciou um repasse de 256 milhões aos municípios e estados para o combate à doença.

Na entrevista, Ethel informou que na semana passada, o Ministério realizou reuniões com hospitais da rede privada para compartilhar conhecimentos sobre o manejo desses pacientes. “Diferente da covid, que era um vírus novo, (com o qual) não sabíamos como lidar, convivemos com a dengue há muito tempo, mais de 40 anos. Sabemos o que fazer e como funciona o tratamento. Estamos disseminando o protocolo de como cuidar dessa pessoa.”

Contexto

O pano de fundo dessas declarações é um Brasil enfrentando um surto de dengue, com um número de casos muito acima da média para esta época do ano. O país já ultrapassou meio milhão de infecções prováveis.

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Ethel enfatizou que o Ministério da Saúde não foi pego de surpresa. Já no final do ano passado, o órgão alertava que o país poderia enfrentar o pior ano da história em termos de casos da doença. “Seria mais do que o

“Seria mais do que o dobro do ano passado, que já foi um ano muito difícil.” A previsão menos otimista estima 4,2 milhões de casos.

A secretária atribui isso a dois fatores principais: o primeiro são as mudanças climáticas, com temperaturas extremas e pluviosidade anormal, que ajudam o mosquito a se reproduzir e transmitir mais; e o segundo ponto tem a ver com a circulação dos quatro tipos do vírus ao mesmo tempo, alguns deles retornando após 15 anos – e, portanto, encontrando uma população imunologicamente desprotegida.

“A pessoa pode ter dengue quatro vezes. Ela não tem dengue pelo mesmo sorotipo, mas tem por outro sorotipo”, destaca. “Temos principalmente nossas crianças e adolescentes de até 15 anos que não entraram em contato com esse sorotipo. Então, tem muitas pessoas que podem adoecer, e a gente precisa estar atento aos sinais e sintomas para que possamos diagnosticar rápido e dar o cuidado adequado.”

Estadão Conteúdo

Estadão Conteúdo

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Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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