Projeto aprovado contra blindagem de gastos públicos mira agendas de Janja e viagens de Lula
Texto aprovado endurece regras da Lei de Acesso à Informação e impede ocultação de despesas com viagens, hospedagens e deslocamentos de autoridades.
- Londres, Inglaterra, 06.05.2023 – Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja Lula da Silva participam da cerimônia de coroação do Rei Charles III, na Abadia de Westminster, em Londres. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Resumo
A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que endurece regras sobre sigilo de gastos públicos e amplia a transparência de despesas envolvendo autoridades. A proposta surgiu após críticas da oposição sobre sigilos relacionados às viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e às agendas da primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja.
Notícias do Brasil – A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (21) um projeto de lei que endurece as regras para imposição de sigilo sobre gastos públicos e amplia a obrigatoriedade de divulgação de despesas envolvendo autoridades do governo federal.
A proposta altera dispositivos da Lei de Acesso à Informação (LAI) e busca restringir brechas usadas para manter sob reserva informações relacionadas a viagens oficiais, agendas institucionais e despesas de representação.
O texto aprovado foi apresentado pelo deputado Gustavo Gayer e relatado pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante. A matéria agora segue para análise do Senado Federal.
A discussão ganhou forte tom político durante a votação e teve como foco críticas da oposição ao governo do presidente Lula, principalmente em relação a gastos envolvendo viagens presidenciais e agendas da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.
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Projeto obriga divulgação de despesas públicas
Pela redação aprovada, despesas de custeio e representação deverão obrigatoriamente ser divulgadas, incluindo:
- passagens aéreas;
- hospedagens;
- alimentação;
- locomoção;
- diárias;
- aquisição de bens;
- gastos pagos por suprimento de fundos.
O projeto estabelece que informações protegidas por razões de segurança não poderão ocultar despesas públicas relacionadas ao uso de recursos oficiais.
Mesmo em situações envolvendo segurança do presidente da República, vice-presidente e familiares, os gastos continuarão sujeitos à transparência.
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A proposta mantém proteção apenas para informações consideradas “estritamente operacionais”, ligadas diretamente à segurança institucional.
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Oposição citou viagens de Lula e agendas de Janja
O debate no plenário foi marcado por críticas da oposição ao governo federal. Parlamentares do PL afirmaram que o Executivo ampliou restrições ao acesso de informações públicas.
O relator Sóstenes Cavalcante declarou que o atual governo aumentou “inúmeras vezes os sigilos” envolvendo agendas e despesas presidenciais.
Segundo ele, situações relacionadas às viagens do presidente Lula e às agendas de Janja motivaram a apresentação do projeto.
Durante a votação, deputados bolsonaristas citaram episódios em que pedidos de acesso a informações teriam sido negados sob justificativa de proteção de dados pessoais.
Um dos casos mencionados foi o sigilo imposto à lista de passageiros de um voo presidencial que realizou parada em São Paulo em 2024.
Na ocasião, o governo federal alegou que a divulgação das informações poderia colocar em risco autoridades nacionais.
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Outro ponto destacado pela oposição envolveu pedidos de acesso às agendas oficiais da primeira-dama.
O deputado Gustavo Gayer afirmou que o projeto busca impedir o uso indevido da classificação de sigilo para ocultar despesas públicas.
Texto prevê punição para uso indevido de sigilo
Além da ampliação da transparência, o projeto cria mecanismos de responsabilização para agentes públicos que utilizarem sigilo de forma considerada irregular.
O texto altera a Lei de Improbidade Administrativa e estabelece punições para autoridades que imponham sigilo com objetivo de obter vantagem pessoal ou esconder irregularidades.
A prática também poderá ser enquadrada como crime de responsabilidade.
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Outro trecho aprovado determina a desclassificação automática de informações caso pedidos de revisão não sejam analisados pela Comissão Mista de Reavaliação de Informações em até 120 dias.
O projeto ainda amplia o poder do Congresso Nacional para revisar classificações de sigilo e decisões da comissão responsável pela análise dessas informações.
Governo já havia criticado “sigilos de 100 anos”
O tema envolvendo sigilos públicos se tornou recorrente no debate político nacional nos últimos anos.
Durante a campanha presidencial de 2022, Lula criticou duramente os chamados “sigilos de 100 anos” utilizados no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Agora, parlamentares da oposição afirmam que o atual governo também ampliou mecanismos de restrição ao acesso de informações públicas.
O projeto aprovado reacende a disputa política sobre transparência, acesso a dados governamentais e limites entre segurança institucional e publicidade dos atos públicos.
A proposta ainda dependerá de votação no Senado antes de seguir para eventual sanção presidencial.
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Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
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