PT afirma que Lula deve vetar penduricalho sobre benefício acima do teto salarial para servidores da Câmara
O novo líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), afirmou que o partido se recusou a apoiar a emenda.
- Foto: Gil Ferreira/SRI-PR
Resumo rápido
Ministros do governo Lula negaram ter fechado acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para aprovar um benefício que permite a servidores receberem acima do teto constitucional. A declaração contradiz a versão apresentada por Motta, que afirmou haver concordância total do Planalto com a proposta aprovada pela Câmara.
Notícias do Brasil – Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva negaram que tenha havido qualquer acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para aprovar um benefício que pode permitir a servidores da Casa receberem valores acima do teto constitucional.
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A negativa ocorre após Motta afirmar que o Planalto estaria “100% de acordo” com a proposta, aprovada por votação simbólica na terça-feira (3), juntamente com um reajuste salarial para os servidores da Câmara.
Gleisi e Tebet dizem que não foram consultadas
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, responsável pela formulação do Orçamento da União, adotou a mesma posição e também negou qualquer acerto com o comando da Câmara. Nos bastidores, auxiliares do Planalto indicam que o governo foi surpreendido com a forma como a matéria avançou.
PT aposta em veto presidencial
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou em entrevista que não tem dúvidas de que o presidente Lula vetará o dispositivo que permite pagamentos acima do teto constitucional. Para ele, a medida contraria princípios históricos defendidos pelo partido.
A avaliação é compartilhada por integrantes da bancada petista, que tentam se afastar do desgaste político gerado pela aprovação da proposta.
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Motta sustenta que governo concordou
Apesar das negativas, Hugo Motta reafirmou que informou previamente sobre a votação e que a proposta segue diretrizes debatidas no contexto da reforma administrativa. Segundo ele, outras mudanças em carreiras federais também foram aprovadas na mesma sessão, incluindo reajustes e criação de cargos no Ministério da Educação.
O presidente da Câmara argumenta que o benefício segue modelo já adotado pelo Senado e pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e que o impacto é restrito. De acordo com Motta, apenas 72 servidores, menos de 5% do total de cargos comissionados da Casa, seriam beneficiados.
Câmara afirma que não haverá aumento de despesas
Motta também afirmou que a medida não gera aumento de gastos, pois os valores estariam dentro do orçamento próprio da Câmara. Ele destacou que a Casa devolveu R$ 760 milhões à União em 2025 e que a previsão para este ano é devolver mais de R$ 700 milhões.
PT diz que foi contra o extrateto
O novo líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), afirmou que o partido se recusou a apoiar a emenda que cria o penduricalho extrateto. Segundo ele, a bancada petista defendeu apenas o reajuste salarial de 8% para os servidores.
“Somos contra qualquer mecanismo que permita vencimentos acima do teto constitucional. Houve tensão, mas não aceitamos assinar essa emenda”, afirmou o parlamentar.
Como funciona o penduricalho aprovado
O projeto cria uma licença compensatória para servidores que exercem funções comissionadas e trabalham em feriados, fins de semana ou dias de descanso. A cada três dias trabalhados nessas condições, o servidor tem direito a um dia de folga.
Caso a licença não seja usufruída, o benefício pode ser convertido em indenização em dinheiro, isenta de imposto de renda. Esse pagamento pode ultrapassar o teto constitucional, atualmente fixado em R$ 46,3 mil, equivalente ao salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal.
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